PAI E MÃE, PRESENÇA OU VISITA?
Dias atrás, nós,
padres, visitamos uma família, com a qual conversávamos sobre o impacto das
novas mídias sociais sobre as crianças e os jovens. Admiramo-nos de ver a
preocupação daquele casal com a educação de seus filhos. Percebemos que essa
questão tem sido um dos grandes desafios de nosso tempo. Pai e mãe foram
educados numa geração, mas os filhos já trazem os traços de um tempo
completamente diferente. Se aqueles pais, que são católicos comprometidos com a
fé, são desafiados com os filhos desta nova geração, que dirá as famílias cuja
estrutura é mais frágil e não possuem uma vida de segmento de Jesus Cristo na
Igreja?
Explico-me:
antigamente, era mais fácil para os pais educarem seus filhos, pois estes
recebiam a influência da escola, da educação religiosa que vinha da comunidade
cristã e do seu convívio. Depois surgiu a presença da TV nos lares, que até
pouco tempo atrás era a grande discussão nos encontros de família, e ouvíamos
dizer das crianças educadas pela babá eletrônica, que era a TV.
Mas os avanços não
pararam aí. Pouco tempo depois, não só a
internet popularizou-se, como veio parar nas mãos de todos, inclusive das
crianças e dos jovens, por meio dos celulares e smartphones. Das mais variadas
redes sociais, passando pelos aplicativos de criação de conteúdo, chegando aos
influenciadores digitais... Você já parou para pensar quantas são as pessoas
que, hoje em dia, influenciam na educação de seus filhos? A sua voz de pai ou
de mãe passou a ser, apenas, uma voz a mais, entre tantas outras, e talvez a
menos ouvida!
Não demonizemos a
evolução tecnológica, quanto a isso não há o que se fazer e, quando temos
problemas, o que precisamos perceber é o que podemos fazer. E existe aqui algo
muito poderoso: pai e mãe são os responsáveis pela educação de seus filhos, por
isso, têm o direito e o dever de acompanhá-los em seu desenvolvimento humano,
sabendo aquilo que recebem de informação e formação. Por meio do sacramento
do matrimônio, prometem “acolher os filhos que Deus lhes confiar, educando-os
na Lei de Cristo e da Igreja”. Se Deus lhes dá o dom dos filhos, dá-lhes também
a autoridade para educá-los. Isso é o que podem fazer.
Ouvi, certa vez,
num retiro, que, nós padres, não devemos fazer visita. Visita é alguém que
chega e vai embora, a visita somente passa pela nossa vida. As pessoas não
querem padres que sejam visita. Elas querem e precisam ser acompanhadas. Pai e
mãe não podem ser visita, é pouco demais! Se sua presença na vida de seu filho
é tipo visita, saiba que as tecnologias e influenciadores possuem mais voz na
consciência e na formação do caráter de seu filho. Presença é o pai e a mãe que
sabem, que se interessam pelos processos de cada um e cuidam para livrá-los
daquilo que os pode prejudicar enquanto caminham, na busca de ser o ser humano
que Deus quer que eles sejam. Por hora, não podem caminhar sozinhos. Mais
tarde, na vida adulta, se foram bem acompanhados, poderão tomar as próprias
decisões. Por agora, precisam de
acompanhamento e o desejam, mesmo quando dizem não querer. Pai chato e mãe
chata serão, um dia, eternamente agradecidos pelos seus filhos e o bem que
fizeram nunca será esquecido por Deus.
E na vida do seu
filho, você é presença ou visita?
Pe. Josimar C. Lourenço
Que bênção essa crônica no dia de hj, senhor Padre. Que tomemos posse de nossa autoridade como pai e mãe e sejamos presentes na vida de nossos filhos.
ResponderExcluirBom dia! Que Deus abençoe os pais e os ilumine com o Espírito Santo, a fim de que reconheçam aquilo que podem fazer por seus filhos. Abraço!!
ExcluirMuitos pais reclamam de falta dos filhos adultos...aqueles que não visitam nem dão atenção aos pais...Será que esses pais foram presença na vida dos filhos???Como cobrar o que não deram?...Muito bonita a crônica do Pe.Josimar...E a tecnologia tem sido a cia.constante na vida dos filhos e netos...
ResponderExcluirObrigado, Dona Terezinha. Sem presença não existe vínculo e nos tornamos apenas estranhos que vivem juntos. É curioso que a pandemia colocou as pessoas dentro de casa, mas continuaram separadas umas das outras pelo excesso de contato com as redes sociais... Que as nossas crônicas possam ajudar as famílias. Abraço!
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