Entrevista - OUTUBRO ROSA - Campanha de conscientização e prevenção do câncer de mama
Anualmente, a campanha do Outubro Rosa une milhões de pessoas em todo o mundo com o objetivo de conscientizar sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama. Criada em 1990, a campanha envolve desde o compartilhamento de informações até mutirões de exames e tratamento.
Segundo o Instituto Nacional do Câncer, o câncer de mama é o segundo mais comum do país, responsável por 29% dos novos casos todos os anos. Fica atrás apenas do câncer de pele. Por isso, a prevenção e o diagnóstico precoce são tão importantes e contribuem para aumentar as chances de cura.
Chamo-me Sheila Aparecida Gonçalves, sou natural de Passa Quatro e sempre morei em Itanhandu. Sou coordenadora da atenção básica de Itanhandu. Sou casada com João Paulo Rodrigues Monteiro e tenho dois filhos: João Pedro, de 10 anos, e Lucas, de 3 anos, e nos orgulhamos da família que construímos, sempre apoiada em Deus e em Santa Rita de Cássia. Sou enfermeira e coordenadora da atenção básica de Itanhandu.
Sinto-me honrada em participar desta entrevista, proposta por Francine Levenhagen, minha querida amiga, sobre esse tema de tanta relevância dentro da Saúde Pública, que é o câncer de mama.
Usei, como fonte de referência de pesquisa, dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA).
1) O que é câncer de mama?
O câncer de mama é um grupo heterogêneo de doenças, com comportamentos distintos. A heterogeneidade desse câncer pode ser observada pelas variadas manifestações clínicas e morfológicas, diferentes assinaturas genéticas e consequentes diferenças nas respostas terapêuticas.
O espectro de anormalidades proliferativas nos lóbulos e ductos da mama inclui hiperplasia, hiperplasia atípica, carcinoma in situ e carcinoma invasivo. Dentre esses últimos, o carcinoma ductal infiltrante é o tipo histológico mais comum e compreende entre 80 e 90% do total de casos.
2) Como prevenir o câncer de mama?
Por meio da realização de alguns exames, principalmente, do exame clínico das mamas e da mamografia. Todas as mulheres devem ter cuidados com sua saúde, mas, para o controle do câncer de mama, algumas devem realizar exames periodicamente, mesmo que não tenham alterações em suas mamas. O diagnóstico precoce aumenta a chance de cura câncer de mama.
Toda mulher com 40 anos ou mais deve procurar, anualmente, um posto de saúde para ter suas mamas examinadas por um profissional de saúde. Entre 50 e 69 anos, a mulher também deve fazer uma mamografia a cada dois anos. O risco de câncer de mama aumenta com a idade.
3) Como é a cirurgia de câncer de mama?
A cirurgia oncológica é um tipo de tratamento do câncer, que consiste na retirada do tumor, por meio de operações no corpo do paciente; na mama, pode-se fazer mastectomia (retirada da mama) total ou parcial, dependendo do grau da lesão.
A indicação de diferentes tipos de cirurgia depende do estadiamento clínico e do tipo histológico, podendo ser: conservadora, ressecção de um segmento da mama (engloba a setorectomia, a tumorectomia alargada e a quadrantectomia), com retirada dos gânglios axilares ou linfonodo sentinela, ou não-conservadora (mastectomia). São modalidades de mastectomia:
- Mastectomia simples ou total (retirada da mama com pele e complexo aréolo papilar);
- Mastectomia com preservação de um ou dois músculos peitorais, acompanhada de linfadenectomia axilar (radical modificada);
- Mastectomia com retirada do(s) músculo(s) peitoral(is), acompanhada de linfadenectomia axilar (radical);
- Mastectomia com reconstrução imediata;
- Mastectomia poupadora de pele.
4) Como surge o câncer de mama?
O câncer é uma doença causada pela multiplicação rápida e desordenada de células anormais, que formam um tumor. Pode ocorrer em diversas estruturas do corpo e, quando envolve as células das glândulas mamárias, determina o câncer de mama, que se apresenta sob diferentes formas, algumas restritas aos ductos e lóbulos envolvidos na produção de leite, outras mais agressivas, que tomam todos os tecidos mamários e podem se espalhar pelo corpo.
5) Como é feito o diagnóstico de câncer de mama?
O diagnóstico laboratorial do câncer de mama se dá de duas formas: com o exame clínico (toque do médico) e com exames de imagem – ultrassom de mama e mamografia.
Uma vez que a mulher identifica, por meio do autoexame de toque, alguma irregularidade, deve buscar um ginecologista que fará o exame clínico e, se necessário, a encaminhará à realização do exame de imagem.
Com os resultados de imagem em mãos, o médico mastologista, de acordo com seu diagnóstico, pode orientar uma biópsia. O procedimento cirúrgico visa retirar pedaços de tumor que serão analisados em laboratório por um patologista. Com isso, tem-se a resposta se se trata ou não, de um câncer.
6) O que é o autoexame de mama? Como e quando fazer?
O autoexame de mama é indicado para todas as mulheres a partir dos 20 anos. Como as mamas podem ficar inchadas antes e durante o período menstrual, a recomendação é fazer o exame 7 dias depois do início do sangramento. No caso das mulheres que estão na menopausa, o ideal é escolher uma data fixa todos os meses.
Um autoexame completo é realizado em três etapas: a observação em frente ao espelho, a apalpação durante o banho e a apalpação deitada.
7) Como identificar um caroço na mama?
O câncer de mama pode ser percebido pela mulher como um caroço, acompanhado ou não de dor. A pele da mama pode ficar vermelha ou parecida com uma casca de laranja ou com alterações no bico do peito, o mamilo. Também podem aparecer pequenos caroços na região embaixo dos braços, nas axilas. Lembre-se de que nem sempre essas alterações são sinais de câncer de mama.



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