Entrevista - Intenção do Papa: Por uma Igreja aberta a todos
A intenção do santo Padre, o Papa, para o mês de outubro deste ano é por uma Igreja aberta a todos.
Rezemos para que a Igreja, fiel ao Evangelho e corajosa no anúncio, seja um lugar de solidariedade, de fraternidade e de acolhimento, vivendo cada vez mais a sinodalidade.
O entrevistado desta semana é João Carlos Gomes Pereira, engenheiro elétrico, graduado em 1983, pela EFEI, atual Universidade Federal de Engenharia de Itajubá.
Atualmente, vive em Houston, Texas, nos Estados Unidos, onde trabalha na indústria petroquímica.
Há 37 anos, dedica-se à indústria de exploração de petróleo.
Em sua carreira profissional, trabalhou em 11 diferentes países, em 4 continentes, tendo ocupado posições em operações, recursos humanos, gerenciamento e marketing.
Filho dos saudosos Ademar e Isaura, e irmão da querida Dra. Elaine e do Prof. Luis, João Carlos nasceu em São Lourenço, em 1961, foi criado em Itajubá, mas adotou Itanhandu, terra de seus antepassados (Scarpa), como sua terra natal.
João casou-se com Paola Levenhagen e, juntos, têm dois filhos: Julia (19 anos) e Breno (15 anos).
João é devoto fervoroso de São Francisco de Assis e de Madre Teresa, que são exemplos de como podemos copiar os passos de Jesus.
1) Como nós, cristãos, podemos ser acolhida e aconchego àqueles que estão tristes e desamparados?
Existe uma palavra que resume o que devemos ser/ter: empatia, que significa colocarmo-nos nos sapatos dos outros. Dessa forma, devemos fazer o exercício de sentir-nos tristes e desamparados e, assim, entenderemos o que gostaríamos que os outros fizessem por nós.
Pode ser uma palavra amiga; uma ligação; um convite para um café; um abraço; um recado; um bilhete; uma carta (há quanto tempo não escrevemos?); ou, simplesmente, uma oração.
Madre Teresa já dizia que o grande problema do mundo não é a fome, mas a solidão (desamparo). As pessoas estão “esquecidas”. Então, quando alguém é “relembrado” por outro, com um gesto de carinho espontâneo, isso funciona como uma vitamina para o espírito.
O grande problema é que exercer empatia requer prática e estar atento (e aberto) às necessidades ao nosso redor.
Nosso dia a dia atarefado e nosso egoísmo cegam-nos e não nos deixam ser empáticos.
2) Podemos considerar que, com o Advento da Internet e com as Pastorais de Comunicação, temos maior abrangência para levar nossa Igreja a mais necessitados?
Definitivamente, sim, mas é preciso lembrar que os mais necessitados são justamente os que não têm um smart phone ou computador ou sequer uma boa internet para ver/ouvir as transmissões. Ademais, não nos esqueçamos de que NADA substitui o calor humano, o toque, o sorriso, o abraço. Sempre que possível, devemos ser presentes.
3) Desde o nosso batizado, somos considerados discípulos de Jesus. Assim sendo, como podemos despertar, no irmão, a vontade de fazê-lo seguir o caminho da verdade?
O amor contagia. Quando exercemos o verdadeiro amor para com nossos irmãos, certamente, eles o replicarão e, assim, tomarão o caminho da verdade.
A Palavra é o melhor fator para convencer as pessoas. Sempre que possível, devemos incentivar as pessoas a lerem a Bíblia, ir à Igreja, escutar uma boa pregação, enfim, expor-se à Palavra.
Por fim, exemplos valem muito mais que conselhos. Nossas vidas devem ser retas e uma inspiração para nossos irmãos.
4) Segundo a Fratelli tutti (FT) 63 a 68, sobre o abandono e a proximidade, Papa Francisco nos recorda que a proximidade é natural de todo cristão, de todo batizado.
Como podemos fazer ressurgir, em nós, a ideia de que a existência de cada um de nós está ligada à dos outros?
A comunhão com Jesus é fonte de júbilo. Da mesma forma que queremos sempre contar para os outros sobre uma coisa boa que nos aconteceu, precisamos dos demais para completar nossa felicidade. O ser humano nasceu para viver em comunidade. A ciência explica, Por meio da pirâmide de Maslow, que, à medida que evoluímos, nossa mente e nossa espírito pedem que deixemos nossas conquistas pessoais e que deixemos um legado de amor ao próximo.
5) A Evangelii Gaudium (EG) 270 exorta a importância da ternura: "entrar em contato com a vida concreta dos outros e conhecer a força da ternura."
Como podemos viver a experiência de pertencer ao outro, de melhorar o outro?
Lendo o Evangelho de São Lucas 13, 22-30, alguém pergunta a Jesus: “Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?”. Segundo o padre, durante a homilia, o texto original estava escrito “agonizar” para passar pela passagem estreita.
No bom sentido, é preciso agonizar, carregar a cruz para o outro, sair de si mesmo, sofrer e dar-se sem limites... Essa é a “agonia” que nos faz passar pela porta estreita (Salvação).
6) De qual forma podemos comunicar o Evangelho, em tempos atuais?
Sendo fiéis à mensagem original, sem concessão na ideologia, tentando ceder às pressões e padrões atuais. O fascinante do Evangelho é que 2000 anos depois, TUDO o que lá está, aplica-se na vida de quem quer ser feliz. Obviamente, que o estilo de comunicação pode adaptar-se às diferentes classes culturais e idades, mas nunca saído da “verdade”. As parábolas, em minha opinião, ilustram tudo.
7) Você acredita que o altruísmo, a gratuidade e a criatividade são princípios que norteiam o anúncio do Evangelho?
Creio no poder do Espírito Santo. Ele se encarrega de nos dar o altruísmo, a gratuidade e a criatividade e tudo o mais de que precisamos para anunciar o Evangelho.
Entrevista cedida a Francine Levenhagen.



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