Entrevista - Intenção do Papa: Pela abolição da pena de morte

 


A intenção do santo Padre, o Papa, para o mês de setembro deste ano é pela abolição da pena de morte.

Rezemos para que a pena de morte, que atenta contra a inviolabilidade e a dignidade da pessoa, seja abolida nas leis de todos os países do mundo.


O entrevistado desta semana é Renato Carneiro.

Ator, trabalhou na peça O Retorno ao deserto (2010), Caminhos (2011), direção do musical Os Saltimbancos (2013), O Pequeno Príncipe, Alice no País das Maravilhas (2017), Secretário de Turismo e Cultura (2017-2019); atuação em Homens de Papel, de Plínio Marcos (2020). Diretor e produtor da Encenação da Paixão de Cristo em Itanhandu desde 2013. Prêmio Mestres da Cultura - Ministério da Cultura (2019), Direção e adaptação O Pequeno Príncipe Nordestino (2022), Integrante da Academia Caxambuense de Letras, Fundador do Grupo Prosa e Verso, em Itanhandu.



1) A pena de morte, muitas vezes, é aplicada em situações extremas, em diversos países, com leis mais rígidas. Na sua visão, qual alternativa pode ser adotada ao invés da pena de morte?

    Acredito que a solução seja uma justiça mais humana e fiel às leis que preservem o valor da vida humana e insira o indivíduo novamente na sociedade.


2) No caso em que a justiça, muitas vezes, também pode falhar, a pena de morte é mais cruel. Quais mecanismos a sociedade pode tomar para aprimorar os sistemas judiciário e carcerário, para evitar situações como essa?

    Vejo que os legisladores devem investir em aprimoramento e intensificação das leis, tornando-as rígidas, porém dialogando com a sociedade e com os órgãos públicos para que a contribuição seja mais justa.


3) Há diferença nos índices de criminalidade entre países que adotam a pena de morte e os que não adotam?

    Os índices são subjetivos. Temos que pensar na punição correta. Depois que a pessoa pagou a dívida com a sociedade, ela deve e pode ser acolhida.


4) No Brasil, qual impressão que a pena de morte deixou para a sociedade?

    O Brasil tem muitas falhas que permeiam o mundo jurídico em todas as esferas da justiça. Isso gera insegurança para todos os indivíduos que precisam ser julgados. Por isso, creio que a pena de morte não seja uma boa saída para a solução da criminalidade no Brasil.


5) A pena de morte colabora para uma sociedade sem crimes? Ou o problema da criminalidade está na ausência do estado em investimentos em educação e segurança?

    A ausência do Estado e a insegurança jurídica colaboram para que a impunidade e criminalidade se tornem o principal problema dos grandes e pequenos centros.


6) Como foi a alteração, pela Igreja Católica, do entendimento sobre a pena de morte, considerando este crime inadmissível em todos os casos?

    A punição era defendida pela doutrina nos casos em que seria “a única forma praticável de defender, de forma eficaz, a vida dos seres humanos contra o agressor”. O argumento utilizado pelos líderes religiosos para alterar o entendimento é o de que esses casos têm sido “raros, se não, praticamente, inexistentes”. Para o Vaticano, existem novas e diferentes maneiras de proteger a sociedade. “Há uma crescente preocupação para que a dignidade humana não seja perdida, mesmo quando relacionada a crimes sérios”.


7) Considerando que somos discípulos missionários de Jesus, como podemos, de alguma forma, ajudar os países que ainda adotam a pena de morte?

    Podemos ajudar rezando e intercedendo para que os líderes tenham clareza e discernimento em adotar práticas de punição severas, porém sem tortura ou crime de morte.


Entrevista cedida a Francine Levenhagen.

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