Entrevista - Jornada Mundial dos Pobres
A entrevista desta semana será sobre a Jornada Mundial dos Pobres e a entrevistada é Caroline Uêda da Mota, Assistente Social, especialista em Gestão Social, Políticas Públicas, Redes e Defesas de Direitos, Especialista em Projetos Sociais, e, atualmente, coordenadora do CRAS de Itanhandu.
1. No dia 14/11, foi a Jornada Mundial dos Pobres. Qual o objetivo dessa Jornada Mundial, na sua concepção?
Em minha concepção, o objetivo primordial do tema abordado pela Jornada Mundial deste ano é despertar nos fiéis o sentimento de empatia, para que não apenas aprendam a sentir a dor do outro, mas, principalmente, sejam impulsionados a agir de maneira a direcionar esforços, na tentativa de amenizar tal dor.
2. Quais os principais desafios desta edição?
Talvez o principal desafio desta edição seja exatamente este “despertar”, uma vez que, para um indivíduo compreender que sair de sua zona de conforto em prol do bem-estar de um próximo é eximiamente necessário; exige a construção de uma consciência voltada a fazer o bem e a doar um pouco de seu tempo, sem olhar a quem e, principalmente, sem que haja plateia, sem que haja fundo de vaidade.
3. O Papa aponta ser urgente dar respostas concretas a quantos padecem o desemprego, que atinge de maneira dramática tantos pais de famílias, mulheres e jovens. Qual a função social e espiritual que a Jornada visa promover?
Com o passar dos anos, a sociedade apresentou grandes evoluções e vivenciou momentos que exalavam o progresso de um povo. No entanto, toda essa prosperidade acentuou ainda mais as desigualdades, principalmente, no que tange ao acesso a bens e serviços, demandando, desta forma, a necessidade de uma maior atenção às mazelas manifestadas. Como função social desta Jornada, poderíamos elencar o fato de que todo e qualquer esforço direcionado a reduzir tais desigualdades são de grande valia, uma vez que, talvez, não possamos erradicar as demandas delas advindas, mas acertadamente, podemos tentar melhorar a realidade da comunidade em que vivemos. A inquietude diante de uma situação ou realidade que sofre com as marcas das vulnerabilidades socioeconômicas deveria ser inerente a todo aquele que se diz cristão. Desta forma, como função espiritual desta jornada, pode-se exatamente citar a “provocação” para o despertar desta inquietude por ela incitada.
4. Qual a origem da Jornada Mundial dos Pobres?
A Jornada Mundial dos pobres teve origem nas atuais urgência e necessidade de se estabelecerem medidas de enfrentamento à atual realidade social, que se agravou com os recentes acontecimentos. Desta forma, grita-se por uma solidariedade em prol dos mais impactados pela situação atualmente vivida.
5. Quais os desafios da Igreja para ajudar encarar os problemas sociais na atualidade?
Sigo defendendo o fato de que o principal desafio em mobilizar um segmento social ou um grupo de pessoas a abraçarem uma causa está no fato de que estes devem, acima de tudo, já possuir o sentimento de empatia, compaixão e solidariedade ou, no mínimo, estar dispostos a despertar a vontade de olhar para algo além de si, para necessidades além das suas, para sonhos além dos seus.
6. Como a Igreja coloca em ação e incentiva os fiéis e seguidores a olharem para os que estão desamparados?
Creio que através de eventos religiosos, justamente como as Jornadas Mundiais e seus variados temas, por meio de campanhas locais de solidariedade, de movimentos que abracem causas apresentadas pelas realidades de cada comunidade e, principalmente, através de abordagens que ganhem a confiança do fiel e que o faça sentir parte de algo maior, algo capaz de alcançar transformações que irão refletir não apenas no hoje, mas também nas gerações futuras. Ou seja, ter em mente arrebanhar cristãos de maneira a irem além do aparente, ou melhor dizendo, arrebanhar corações.
Entrevista cedida a Francine Levenhagen.
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