Entrevista - Dezembro Vermelho: prevenção ao HIV/AIDS
A entrevistada da semana é Aline do Nascimento e Silva, que nos falará sobre o tema “DEZEMBRO VERMELHO – mês de alerta e de prevenção ao HIV/AIDS”.
Enfermeira graduada pela UNITAU, desde 2002, Aline é enfermeira do quadro efetivo da Prefeitura de Itanhandu, atuando, há 18 anos, no Município. Ela tem especializações na área de Saúde Pública, Saúde da Família e Gestão. Desde janeiro de 2021, assumiu a Secretaria de Saúde.
1) Como abordar o assunto: “mês de
alerta e de prevenção ao HIV/AIDS”, na sociedade, e quebrar tabus que ainda
prevalecem sobre o tema?
Ainda existem muitos preconceitos em
relação à infecção por HIV. O tema precisa ser tratado de forma mais aberta
pela sociedade em geral. Como a principal forma de transmissão é por relações
sexuais desprotegidas, debater sobre HIV passa por refletir, também, sobre a
sexualidade humana, que, por si só, já é um tabu. Outra questão é que ainda
existe o paradigma de que é uma doença que “só acomete profissionais do sexo e
homossexuais”, e esse paradigma precisa ser desconstruído no dia a dia, com
campanhas de conscientização e inserção do tema nos canais de comunicação, como
esta entrevista, trazendo luz ao tema.
2) Quais os mecanismos as pessoas têm
para prevenção?
A transmissão do HIV se dá pelo contato
direto com sangue e secreções sexuais contaminados, ou, ainda, pelo
parto/amamentação, em caso de a mãe testar positiva para o vírus.
Cuidados com materiais perfurocortantes (agulhas para
injeção devem ser sempre descartáveis, de uso pessoal), instrumentais para
tratamento médico/odontológico/tatuagens, que devem ser esterilizados com
métodos adequados,... Para as gestantes, a prevenção pode ser feita por meio da
testagem para HIV durante o pré-natal, para que possamos ter os cuidados no
parto/pós-parto, para evitar a transmissão ao bebê.
3) Como é o tratamento?
O tratamento objetiva reduzir a
carga de vírus no organismo do paciente. É feito com uso de vários comprimidos antirretrovirais.
Recentemente, foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(ANVISA) um novo tratamento, que concentra toda a terapia num só comprimido por
dia, melhorando, assim, a adesão do paciente à terapêutica.
4) Quais são os índices em nossa cidade?
Em Itanhandu, 0,15% dos adultos com
mais de 18 anos convivem com o vírus HIV e seguem em acompanhamento.
Aqui, na nossa cidade, a taxa de
incidência, em 2021, está em 6,5/100mil habitantes, enquanto que, no Brasil,
está 17,8/100mil.
Esse dado nos chama a atenção!
Precisamos testar mais nossa população pois pode haver casos não diagnosticados
na comunidade. É importante testar, para diagnosticar e tratar!
5) Como gestora da Secretaria de Saúde,
quais os desafios da pasta para combater a desinformação?
Precisamos, constantemente,
desconstruir pré-conceitos em relação à doença. HIV não é transmissível por
beijo, por abraço, por contato com suor. Também não tem idade, nem raça, nem
religião. Precisamos trabalhar, sempre, para que a população incorpore as
formas de prevenção no dia a dia, e, também, para a testagem, eventualmente. O teste para HIV, também, está disponível no SUS; não
precisa de pedido médico. Basta comparecer ao laboratório municipal, com
documento de identidade, solicitar a testagem, e ela será realizada. Se tiver
dúvidas, teste.
6) Como o assunto pode ser abordado nas
escolas, de forma eficaz, para conscientização da nova geração, quanto à
prevenção à HIV/AIDS?
Por meio de ações educativas e
constantes, voltadas aos jovens, para que conheçam os meios de prevenção e se
cuidem.
7) Quais os tipos de tratamento que
existem hoje?
No Brasil, todas as pessoas
diagnosticadas com HIV recebem tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde.
O tratamento traz vários benefícios:
(i)
diminui as complicações relacionadas às infecções pelo HIV,
(ii)
reduz a transmissão do vírus,
(iii)
melhora a qualidade de vida da pessoa e
(iv)
diminui o índice de mortalidade.
Faça o teste de HIV regularmente e,
se o resultado for positivo, inicie o tratamento rapidamente.
Procure um profissional de Saúde e
se informe sobre as maneiras de prevenção e tratamento do HIV.
Entrevista cedida a Francine Levenhagen.
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