Entrevista - Intenção do Papa: Pela resposta cristã aos desafios da bioética
A intenção do Santo Papa para o mês de março de 2022, é pela resposta cristã aos desafios da bioética.
Rezemos para que nós, cristãos, diante dos novos desafios da bioética, promovamos sempre a defesa da vida com a oração e a ação social.
O entrevistado desta semana é Flávio Mendes Mafra, nascido em 20/02/1970, em Itanhandu/MG. Formado em medicina, pela Universidade Serra dos Órgãos.
É especialista em cirurgia geral pela mesma Universidade Serra dos Olhos; especialista em coloproctologia pela Universidade do Sapucaí (Univas); e especialista em endoscopia digestiva pelo hospital sírio libanês.
É casado com Natália Brandão Guida Mafra e, com ela, tem duas filhas: Mariana Guida Mafra, de anos e Maria Paula Guida Mafra de 12 anos.
Flávio é membro da MESC (Pastoral dos Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão).
1) Na relação “fé e ciência”, quais são os maiores desafios?
Esta pergunta nunca quer calar. Fé e ciência jamais deveriam andar por caminhos opostos. Uma não existe sem a outra. Somam-se. Porém, o Criador criou a ciência e o cientista. Ponto final. Na fala de um dos maiores cientistas que a humanidade já viu, Albert Eisntein: “ há duas maneiras de viver uma vida: a primeira é pensar que nada é um milagre. A segunda é pensar que tudo é um milagre. Do que estou seguro, é que Deus existe”. Ou ainda, dele mesmo: “a ciência sem religião é manca; religião sem ciência é cega.”.
2) Hoje, vivemos em uma sociedade empírica ou que é moldada por dogmas da fé cristã?
Entramos novamente no campo fé x ciência: ser empírico é abdicar da ciência, é “chute”; e, hoje, com a evolução tecnológica e acesso à informação, estamos ficando cada vez menos empíricos. A fé cristã jamais vai querer passar por cima da ciência. Nós, cristãos católicos, entendemos que Deus age por meio da ciência, dos médicos, dos medicamentos. Negar isso ou seguir outro caminho não é conduta de um bom cristão.
3) Como a bioética se apresenta para a sociedade?
A ética, ou a bioética, existe desde os primeiros passos da humanidade. Penso que já nascemos éticos. O que acontece é que o ser humano foi, ao longo dos tempos, perdendo ou invertendo seus valores, e a vida humana se tornou desprezada, vã, normal... Somos animais sim, porém com alma. É o que nos difere. Entendo a (bio)ética como a prática do respeito; respeito mútuo, respeito à vida e ao ser humano.
4) Quais perspectivas a bioética apresenta para o mundo pós-pandemia?
Definitivamente, essa pandemia veio não para matar ou dizimar a espécie humana, apesar de ceifar tantas vidas. Vai, certamente, ensinar-nos algo. Não podemos nem devemos ser os mesmos após tudo isso acontecer. O que ainda estamos vivendo era inimaginável. Essa pandemia vai deixar, assim espero, um legado de ... Respeito (olha a bioética aí no nosso dia a dia). Respeito ao próximo, usando máscara, higienizando e estendendo as mãos ao próximo mais necessitado, vacinando-se, aproximando-se de familiares e amigos, valorizando pequenas coisas que, talvez, não valorizávamos, tendo mais compaixão, solidariedade, amor ao próximo. A bioética esta aí, caminhando conosco. Basta estarmos atentos, como devemos estar atentos aos sinais que Deus nos dá todos os dias. Porém, a venda em nossos olhos nos cegam. Tantas mortes não podem e não devem ser em vão. Estas mortes precisam nos ensinar algo, se não ensinarem, foi em vão.
Então, mãos à obra. Fiquemos atentos.
5) A relação fé e ciência é incoerente?
Nunca. Acho que já respondi acima.
Entrevista cedida a Francine Levenhagen
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