Entrevista - Dom José Costa Campos

 



Dom José Costa Campos - Nascido em Três Pontas no dia 23 de agosto de 1918.
- Ordenado Sacerdote em Campanha (MG): 23/03/1941
- Eleito Bispo de Valença (RJ): 09/12/1960
- Sagrado em Itanhandu (MG): 24/02/1961
- Transferido para Divinópolis (MG): 26/03/1979
- Posse em Divinópolis (MG): 20/05/1979
- Renúncia: 05/04/1989
- Falecido: 10/07/1997



                                                                                                                                                                     

A entrevistada de hoje é a nossa querida dona Cândida Iracema Ribeiro Ovídio.

Nascida no bairro rural denominado Pedreira município de Itanhandu, foi registrada no cartório de Sant’Ana do Capivari, município de Pouso Alto, por ser a localidade mais próxima.

Morou no meio rural até se casar e, por isso, faz questão de conservar suas raízes, cuidando de jardim, de horta e pomar.

Viva a natureza! “Terra em que se plantando tudo dá”, afirmou, sabiamente, Pero Vaz de Caminha.

Mora em Itanhandu desde outubro de 1962. É professora aposentada, gosta muito de ler, escrever e pesquisar, principalmente, sobre a história de vida de personalidades itanhanduenses e sobre a história de instituições da cidade.

Além das tarefas domésticas, realiza, como ajuda a amigos, a revisão de textos, de artigos e até de livros. Que Deus lhe dê saúde e paciência para continuar essa empreitada, que a agrada e favorece o próximo! 


1) Todos os itanhanduenses já devem ter visto, em placas, na igreja, o nome de Dom José Costa Campos. Os mais velhos conheceram-no muito. Como fazer esse ilustre personagem ser conhecido entre os mais jovens?

    É fácil. Eis um pouco de sua história de vida: José Costa Campos foi um padre, natural de Três Pontas, MG, nascido no dia 23 de agosto de 1918. Em 28 de abril de 1945, foi nomeado pároco de Itanhandu pelo Exmo. e Revmo. Bispo Dom Inocêncio Engelke, da Diocese de Campanha. Administrou a nossa Paróquia até 16 de dezembro de 1960, pois, no dia seguinte, aconteceu a eleição episcopal de Monsenhor José Costa Campos, quando os itanhanduenses prestaram sincera e filial homenagem ao querido pastor, que a Providência, nos seus sábios desígnios, escolher para receber a plenitude do sacerdócio.

 

2) Sua chegada a Itanhandu foi em uma época conturbada, pois ainda estava acontecendo a Segunda Guerra Mundial. Os itanhanduenses deixaram que ele percebesse a preocupação e o medo dominantes?

    Não. O novo vigário ficou surpreso com a calorosa recepção preparada pelos paroquianos, pois a plataforma de estação ferroviária estava repleta de pessoas, entre as quais se encontravam as irmãs da Casa de Caridade e as da Escola Doméstica Coração Eucarístico, o saudoso Coleginho, acompanhadas das alunas trajando uniforme de gala. Houve, ainda, a presença da banda de música, e esse cortejo acompanhou-o até a igreja que, a partir daí, estaria sob sua responsabilidade. Com palavras elogiosas, votos de sucesso e muitos aplausos, instalou-se na cidade mais um amigo.

 

3) Com tanta coisa a ser feita e com a economia mundial abalada, como iniciou seu trabalho?

    Aqui chegando, deu especial atenção à Catequese. Aderiu ao ideal dos paroquianos a respeito da construção de uma igreja maior.

    No dia 20 de junho de 1946, o Exmo. e Revmo. Bispo Diocesano procedeu à bênção da primeira pedra da nova igreja, estando presentes vários padres, autoridades locais e grande massa popular.

    Esse lançamento foi mais uma grande revelação do talento do Sr. Benedito Lázaro Ribeiro, mais conhecido como Sr. Bibi, que, depois de curtir preocupação e perder horas de sono com muita eficiência e carinho, fez o projeto, mesmo sabendo que seria um período de muita luta para o responsável pela obra, para o Pároco, para os operários e para a população itanhanduense.

 

4) Em que dia, começou a construção da nova igreja?

    No dia 02 de fevereiro de 1948, dia em que se celebrava o vigésimo primeiro aniversário da instalação da Paróquia, iniciaram-se, oficialmente, os trabalhos da construção da nova Matriz. Esse fato alegrou os itanhanduenses, porque era um passo decisivo para a realização de um grande ideal. Foram inúmeras as festas, leilões, concursos e campanhas, que o Revmo. Vigário idealizou e conseguiu realizar, com a ajuda do povo.

 

5) O Pároco exercia outras atividades?

    Com tantas ocupações, ainda encontrou tempo para o magistério. Foi professor de religião no Colégio Sul-Mineiro. Lecionou latim, sociologia educacional e filosofia da educação, na Escola Normal e Ginásio Coração Eucarístico.

 

6) Além da Catequese, que movimentos religiosos promoveu?

    Iniciou o movimento da Ação Católica, desenvolvendo os diversos setores: Senhoras da Ação Católica, Moças da Ação Católica, Homens da Ação Católica, Moços da Ação Católica, Juventude Operária Católica e Aspirantes da Ação Católica.

    Em 1957, foi enviado a dispensar os seus cuidados a outras paróquias, pois foi nomeado Diretor do Ensino Religioso Diocesano. Assim, no dia 23 de janeiro, o Revmo. Padre Ivo Sousa Bustamante, recém-ordenado, foi nomeado vigário cooperador da Paróquia Nossa Senhora da Conceição.

    Exerceu o cargo de Diretor do Ensino Religioso Diocesano por três anos e meio, com especial dedicação e notável eficiência. Nesse período, organizou e dirigiu trinta e uma semanas de tríduos catequéticos, dentro da Diocese de Campanha, e doze fora.

    Em 1959, preparou e realizou o Congresso Catequético Diocesano, em Caxambu, MG. Esse congresso foi uma grande oportunidade para se encontrarem mestres no assunto, com quem as catequistas muito aprenderam.

 

7) Reconhecendo o grande trabalho do nobre pároco, que fora eleito bispo, que fez o Revmo. Padre Ivo Sousa Bustamante, para mostrar a gratidão da comunidade católica itanhanduense?

    No início do mês de fevereiro de 1961, começaram os preparativos para a grande festa na Paróquia: a sagração episcopal do Monsenhor José Costa Campos e a sagração da nova Matriz de Itanhandu, cuja programação foi elaborada pelo Revmo. Padre Ivo.

    O dia 24 de fevereiro foi dia de grande festa para os católicos de Itanhandu, pois o Revo. Monsenhor José Costa Campos, ilustre pároco, teve a felicidade de ser sagrado Bispo, na Matriz que ele construiu, ainda não totalmente concluída, sendo designado para a Diocese de Marquês de Valença, RJ. Foram sagrantes o Exmo. e Revmo. Núncio Apostólico da Santa Sé, D. Armando Lombardi, o Exmo. e Revmo. Bispo Diocesano D. Othon Motta e o Exmo. e Revmo. Bispo D. José D’Ângelo, da Diocese de Pouso Alegre, MG. Receber o próprio representante do Papa em nosso País foi uma grande honra para Itanhandu.

    No dia 25, foi sagrada por S. Exa. Revma. D. José Costa Campos, a “Matriz de Itanhandu, fruto do esforço e de sacrifícios de muitos anos, uma oferta à Virgem, oferta magnífica, que atesta a fé robusta do rebanho e a operosidade do pastor.”

 

8) Dom José, que foi grande amigo dos itanhanduenses, que os visitava na cidade e no meio rural, teve de dar o seu adeus, para enfrentar sua nova missão. Em que dia isso aconteceu e como aconteceu?

    No dia 15 de abril de 1961, S. Exa. Revma. D. José Costa Campos partiu de Itanhandu com destino a Valença.

    “Uma grande comitiva foi levar à nova Diocese o presente precioso. O Exmo. e Revmo. D. Othon Motta chefiou a caravana, levando o seu ex-padre para suas novas e mais altas atribuições.” Acompanharam-no os Revmos. Sacerdotes: Padre Ivo, Padre José Armando Morais, Padre José Castilho Moreira, Cônego João Cunha e Cônego Arnaldo Costa; também, várias autoridades locais: Dr. José Junqueira Gorgulho, juiz de direito; Dr. Weber Martins Batista, promotor de justiça; José Bernardino Monteiro, vice-prefeito; Olavo Lopes, presidente da Câmara Municipal e uma grande comitiva em carros e ônibus, daqui e de Três Pontas.

    “Foram cenas de tristeza aquelas da despedida. O povo afluiu, em massa, à casa paroquial, para o aceno do adeus. Lágrimas e saudades antecipadas eram a tintura do quadro que se contemplava.

    Todos unidos, num só sentimento, desejaram-lhe frutuoso e abençoado pastoreio nas plagas valencianas, e que Deus cumulasse de êxito e de graças infindas seus trabalhos, para que pudesse continuar a fecundidade de seu zelo pastoral, para a glória de Deus e salvação das almas.”

    Pelo muito que fez por nossa terra e pela dedicação de seu ministério sacerdotal, S. Exa. Revma. D. José Costa Campos tornou-se um personagem marcante na história da Paróquia.

    No dia 20 de agosto de 1961, no encerramento da festa do jubileu de prata da Congregação da Doutrina Cristã, foi inaugurada a placa de bronze, no pórtico da nova Matriz, em homenagem ao Exmo. e Revmo. D. José Costa Campos, o querido ex-Pároco de Itanhandu, que a descerrou sob os aplausos dos amigos itanhanduenses.

    Depois, sua trajetória de vida foi intensa. Faleceu no dia 10 de julho de 1997, aos 78 anos de idade, sendo 56 anos de vida religiosa, dos quais 36 foram de episcopado.

    No dia 18 de outubro de 1999, a Câmara Municipal de Itanhandu considerou importante que, pelos inúmeros serviços prestados à comunidade local, a memória do ex-vigário fosse homenageada, para que seu modelo de vida se perpetuasse oficialmente, como exemplo para as próximas gerações.

    Assim, no dia 25, em sessão solene, foi afixada a placa denominando o adro da Matriz.



Entrevista cedida a Francine Levenhagen 

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