Entrevista - MARÇO Azul Marinho: prevenção ao câncer colorretal
O Março Azul-Marinho é uma campanha realizada no mês de março com o intuito de alertar à população sobre a importância da prevenção do câncer colorretal. Esse tipo de câncer abrange os tumores que têm início no intestino grosso, especificamente nas regiões chamadas de cólon, reto e ânus.
Como a maioria dos tumores, a incidência do câncer colorretal decorre de práticas não saudáveis, como obesidade, tabagismo, alcoolismo, sedentarismo e excesso de consumo de carne processada.
O câncer colorretal apresenta chances de cura, se diagnosticado precocemente. Nesse caso, a detecção do tumor pode ser feita através de exames de rastreamento, bem como por meio de exame físico. No caso dos pacientes que já apresentaram os sintomas da doença, o diagnóstico é feito por meio de investigação de exames clínicos, radiológicos ou laboratoriais.
O entrevistado desta semana é Flávio Mendes Mafra, nascido em 20/02/1970, em Itanhandu/MG. Formado em medicina, pela Universidade Serra dos Órgãos.
É especialista em cirurgia geral pela mesma Universidade Serra dos Olhos; especialista em coloproctologia pela Universidade do Sapucaí (Univas); e especialista em endoscopia digestiva pelo hospital sírio libanês.
É casado com Natália Brandão Guida Mafra e, com ela, tem duas filhas: Mariana Guida Mafra, de anos e Maria Paula Guida Mafra de 12 anos.
Flávio é membro da MESC (Pastoral dos Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão).
1) Onde fica o cólon?
Cólon, ou intestino grosso, é um órgão pertencente ao nosso aparelho digestório e fica localizado em nosso abdômen, ocupando, mais ou menos, a lateral do abdômen. Mede cerca de 70 a 120 centímetros.
2) Onde fica o reto?
Reto é uma parte do cólon, no caso sua parte mais distal e vai terminar no ânus.
3) Quais são as medidas preventivas para o câncer do intestino grosso?
Inicialmente, deve-se considerar a tendência genética, familiar. Isto não deve ser esquecido quando for conversar com o médico. Como medidas gerais de prevenção, podemos destacar:
- bons hábitos alimentares, como a ingestão de alimentos ricos em fibras (frutas, verduras, legumes e cereais – cerca de 2 gramas ao dia e a ingestão de muita água – 1,5 a 2 litros ao dia. Tudo isso para se evitar que o intestino fique “preso”, que, também, é um fator de risco na ocorrência do câncer intestinal);
- evitar alimentos industrializados, ricos em conservantes e com muito sódio (sal), alimentos demasiadamente ricos em gorduras de origem animal (carnes gordurosas, pele de frango, entre outros);
- abolir o fumo e parcimônia na ingestão de bebidas alcoólicas;
- controlar o peso e praticar atividades físicas.
4) Quais tipos de tratamento existem?
O câncer do intestino grosso tem cura, se diagnosticado logo. O tratamento é basicamente cirúrgico, ou seja, é necessário retirar a parte do intestino acometida. O tratamento medicamentoso (quimioterapia e a radioterapia) vai depender de alguns fatores, como: a época evolutiva em que foi descoberto o tumor, condições de invasão deste na parede intestinal após sua remoção e o local do intestino grosso em que se encontra esse tumor.
Ainda há o tratamento endoscópico, por colonoscopia, em caso de pequenos tumores.
5) Em nossa cidade há muitos casos?
Os casos em nossa cidade acompanham, aproximadamente, a média do país. Lembrando que, atualmente, as pessoas estão se alimentando muito mal e com a maior possibilidade de realização de exames diagnósticos (colonoscopia e tomografia), ele está realmente “aparecendo” mais.
6) Há muita desinformação e tabu?
Sim, muito. O tabu ainda é muito forte em função da resistência em se realizar a colonoscopia, que é o exame necessário para se descobrir o câncer intestinal e até tratar sem cirurgia, se descoberto no início e de tamanho pequeno.
7) Quais são as principais características do câncer que acomete o cólon e o reto?
Cólon e reto, como dito anteriormente, fazem parte de um mesmo sistema, porém, com características diferentes em sua anatomia, principalmente, na espessura de suas paredes, consistência das fezes e tempo de permanência das fezes em cada segmento do intestino. É importante estar atento para o menor resquício de sangue nas fezes. Pode ser outra coisa, como uma simples hemorróida pequena, mas é um dado que jamais deve ser menosprezado. Do lado esquerdo do abdômen, as fezes são mais sólidas e, no direito, mais amolecidas; do lado direito, ele é mais “silencioso” e quase não dá sangramento visível nas fezes (atenção nesse caso para anemia); já do lado esquerdo, ele pode dar mais sangramento visível nas fezes.

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