ESPECIAL DE NATAL

                                                        

                                                                                                    imagem: cathopic

          

                                                      O NATAL NA MINHA FAMÍLIA


      Quando eu era pequena, nunca tinha ouvido falar em Natal. Com nove anos, fui para o colégio, onde era interna, e, lá, se comemorava o Natal.

        Várias perguntas vinham-me à mente: O que é o Natal? Será aniversário de Jesus?

       Logo, obtive a resposta: Sim, Natal é o dia em que nasceu o Salvador do mundo.

      Eu não gostava do Natal. Achava-o uma comemoração muito triste. As músicas, também, me pareciam tristes. As freiras nos ensaiavam para cantarmos no coral de missa de Natal. Lembro-me de que eu chorava muito...

      Hoje, em minha casa, quando se fala em Natal, é uma grande alegria! Os arranjos da árvore, o presépio, a ornamentação, o amigo secreto... Todos ficam na maior alegria, durante os preparativos, principalmente, nos "comes e bebes", quando cada um traz um prato para a casa da mãe e avó.

      O chefe da casa já não está mais aqui. acendemos uma vela, rezamos e iniciamos a nossa festa, lembrando-nos do que ele dizia: Nunca deixem de comemorar essa grande festa da família!  Essa frase inda dita por ele no leito de morte. Certamente, guardou a lembrança do Natal como uma festa divina, pois, desde que nos casamos, todos os anos, sempre fazíamos alguma coisa para comemorá-lo.

       Esforço-me para não deixar minha família notar que essa data me incomoda. É muito bom ter uma família, e sinto que preciso alegrar-me por causa deles.

      A família é um presente de Deus. Nele, a paz se faz ouvir, e o amargor vira mel. Sentimos o peso da cruz, mas sabemos que Jesus veio ao mundo para nos salvar.

       A vida se torna doce, quando se tem a presença de Deus, na saúde e na doença, na alegria e na dor.

      Minha prece, diante do presépio, é que possamos viver em paz e, principalmente, que possamos manter a presença de Jesus em nossa família. Que será de nós sem Ele?

                                                                                     Maria Aparecida de Jesus Domiciano

      



                                                                POESIA DE NATAL

 

      O Natal é, por certo, uma das épocas mais poéticas do ano, talvez, da história. O clima, real ou fantasioso, de solidariedade e comunhão favorece essa percepção.

      Os poetas mostram que o natal pode ser recriado pelo poder daqueles que sabem fazer as palavras dançarem, pularem, gritarem e celebrarem:

      “Natal é tempo de nascer

      Renascer

      Um ser melhor que existe em você.

      Seja esse tempo

      Faça esse tempo

      Se enfeite pra ver viver

      Esse agora mais bonito

      Que chega com alegria

      Com seu manto infinito

      Cheio de alegria...”       (Renascimento – Hélverton Baiano)                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       Maria de Fátima Matos

 



                                               IMAGENS DE NATAL

 

      Soa  alto o sino da Matriz.

      É véspera de Natal na cidade enfeitada de luzes.

      Em alguns lares, guirlandas na porta, a árvore com pisca-pisca, a toalha vermelha sobre a mesa com iguarias.

      Crianças ansiosas aguardando os presentes.

    Em muitas memórias, a lembrança daquele Natal da infância. Enquanto nestes, todos comemoram e se unem em orações, em outros, o cenário é bem diferente. Nada há para distrair ou repartir. Também há muito movimento nos bares e muitos nem retornam aos lares ou nem tem para onde ir.

      E mais um Natal acontece, sem mesa farta e família reunida...

    E o Natal vai perdendo seu verdadeiro sentido que é celebrar o nascimento do menino Jesus, num ambiente sereno e de amor e paz.

      Pudéssemos guardar somente imagens de natais felizes com lindos presépios nos lares com igualdade e fraternidade. E ainda ouvindo de graça, crianças cantando na praça:

      “Natal, natal  das crianças,

      Natal da noite de Luz,

      Natal da estrela-guia,

      Natal  do Menino Jesus”!                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                         Terezinha Paiva

 



                                                     RECEITA DE NATAL

 

       Primeiramente, diminua as diferenças!

               Salpique, com gosto,  abraços

                                Presenças,

                  Esperanças cheias de laços.

               Pode ser uma receita modesta,

           Saborosa como a “secreta” de avó!

                        Receita tão singela...

                    Mas com energia de festa

      Para ficar mais bela e ninguém ficar só.

         Não precisa de emaranhado de luzes,

                     Mas de um lindo sorriso.

                         Todos muito felizes

                  Nem que seja de improviso.

                  Ah... doses  e doses de amor!

                  Neste dia, o Menino nasceu!

                     Precisamos de muita cor...

                       No mundo, a Fé cresceu!

                  A receita? Será um sucesso!

                             Com muita paz!

                      E todo esse processo...

                           Ah, como satisfaz!

           Decore com muito amor, coração!

       E antes de tudo agradecer em oração...                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       Raquel Mota




                                            A ÁRVORE DE ASSA-PEIXE

 

      Das minhas recordações do Natal, tenho memória das tradições que aprendi com a minha avó. Quando tínhamos uma árvore de Natal sintética e os enfeites não eram tão acessíveis como hoje, vivíamos de um modo mais intenso e familiar a preparação para comemorar o nascimento do Senhor.

      Tudo começava pelo dia vinte ou vinte e cinco de novembro. Quando nossa avó dizia que era a época de preparar a árvore e o presépio, era uma festa, sobretudo para as crianças. Íamos ao pasto, no alto do morro, que fica atrás da escola, e procurávamos uma árvore de assa-peixe bem bonita. Era cortada e vínhamos arrastando-a pela rua, até a calçada da casa, onde fazíamos um verdadeiro mutirão para tirar as folhas. Na nossa ansiedade, a vontade era já de enfeitá-la, mas o processo ainda ia longe, para nossa frustração: os galhos tinham que ser pintados, duas ou três vezes; uma base tinha de ser preparada para pôr a árvore em pé, com os enfeites, os quais, antigos, de vidro, tinham de ser limpos um a um, com extremo cuidado... Era um tempo muito divertido, que acabava nos reunindo.

      O presépio tinha quase a mesma dinâmica, com a aventura de se encontrar a areia adequada, as pedras, as touceiras de capim barba-de-bode... Meu avô não tinha uma vida religiosa bem definida, mas, às vezes, gostava de elaborar o presépio. Nunca soube o que era um presépio napolitano e acabou montando um, certa vez, construindo um vilarejo em torno do cenário do nascimento de Cristo.

      Assim fomos aprendendo essas tradições, que nos unem, e, quem sabe, vão deixando um pouco de luz dentro de cada um, por aquilo que significam. Depois, fomos crescendo e conhecendo o significado profundo daquilo que, ano a ano, celebramos. Assim como minha família me deixou esse gosto pelas tradições natalinas, desejo que as mesmas  tradições possam  anunciar-lhes o Cristo, pois cada um de nós necessita fazer a própria rota na busca da luz da estrela.

      Durante este ano que termina, por meio das crônicas deste blog, esta equipe procurou aproximar as famílias da comunidade da profunda catequese do Papa Francisco na AmorisLaetitia. Como herdei o gosto pela celebração do natal da minha família, desejo que um pouco destas reflexões tenham tocado, em algum momento, o coração de vocês e iniciado algo novo em suas vidas. Em nome de todos os cronistas, desejo-lhes uma oitava de Natal e um ano novo muito melhor. Deus os abençoe!                                                                                                               

                                                                                                                  Pe. Josimar C. Lourenço 



Comentários

  1. Terminamos assim este ano ,quando estivemos unidos, neste espaço através da criação de crônicas. Nesta última apresentação todos se expressaram de forma bonita e criativa ,falando do Natal.Que Deus renasça a,cada dia em nossos corações. Gratidão a todos por esta linda partilha.

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