Entrevista - Educar para a Fraternidade
Nascida no bairro rural denominado Pedreira, município de Itanhandu, foi registrada no cartório de Sant’Ana do Capivari, município de Pouso Alto, por ser a localidade mais próxima.
Morou no meio rural até se casar e, por isso, faz questão de conservar suas raízes, cuidando de jardim, de horta e pomar.
Viva a natureza! “Terra em que se plantando tudo dá”, afirmou, sabiamente, Pero Vaz de Caminha.
Mora em Itanhandu desde outubro de 1962. É professora aposentada, gosta muito de ler, escrever e pesquisar, principalmente, sobre a história de vida de personalidades itanhanduenses e sobre a história de instituições da cidade.
Além das tarefas domésticas, realiza, como ajuda a amigos, a revisão de textos, de artigos e até de livros.
Que Deus lhe dê saúde e paciência para continuar essa empreitada, que lhe agrada e favorece o próximo!
1) Quais são os principais desafios para que tenhamos uma educação inclusiva e abrangente?
Fala-se muito, atualmente, em inclusão. Seria ideal que houvesse realmente inclusão, no sentido amplo da palavra. Como desafios para que tenhamos uma educação inclusiva e abrangente, eu começaria pelo amor ao próximo. Deve-se pensar em oferecer ao “irmão” aquilo que se gostaria de que fosse oferecido a si próprio.
O ser humano deveria ser menos egoísta, pois, infelizmente, muitos querem tudo para si, chegando a “passar por cima dos outros”, visando ao seu próprio lucro. O mundo está carente de espírito de solidariedade e de senso humanitário.
2) A educação continua sendo o principal diferencial na construção da sociedade?
Sem dúvida! A educação é a base de tudo. Ela cabe em qualquer lugar e em qualquer situação. Com educação, as coisas são resolvidas com mais facilidade, sem grosseria, sem agressividade.
3) Na visão da senhora, quais são os desafios da educação no século XXI?
Saúde e educação deveriam ser a meta dos governantes, e não é por isso que se observa. Se a verba destinada a essas prioridades fosse bem aplicada, viveríamos no “País das Maravilhas”. Assim, educar, plenamente, está difícil de conseguir. Os professores não são devidamente remunerados; os pais, talvez pela sobrecarga de trabalho, têm pouco tempo para os filhos; as crianças e jovens estão “dependentes” do celular e, nem sempre, sabem usá-lo, passando mais horas nessa ocupação que com os livros e cadernos; respeito, obediência, disciplina, hierarquia são termos ignorados por muitos estudantes, talvez pela educação precária que recebem em casa, onde mandam e desmandam, sem ser repreendidos ou sem ouvir palavras de censura.
Acho que, se não houver uma mudança na educação em casa, a qual deve começar antes do nascimento do filho, com a educação dos pais, o mundo vai tomar um rumo que não é o que Deus planejou ao criá-lo.
4) Educar para a fraternidade. Qual é o caminho que sociedade e Igreja podem construir para uma educação de qualidade e assertiva?
Uma sociedade bem construída só constrói. Na Igreja, só se aprende o que é bom. Assim sendo, depende apenas do “querer” do indivíduo, que tem o direito de escolher o caminho a seguir. Entra, aí, a atuação dos pais, que têm de estar atentos ao comportamento do filho.
5) Qual é o legado do professor na vida de um aluno?
Enquanto “aluno”, o professor é “chato”, é muito “exigente”, é “Caxias” e outras coisas mais.
Depois, amadurecido, com discernimento, ele percebe que aquelas atitudes do professor, antes indesejáveis pelo aluno, marcaram sua vida, ajudaram na formação de seu caráter; e, acredito que, se decidir ser professor, vai adotar a mesma linha de trabalho daquele que ajudou na sua formação.
6) Como foi que a senhora descobriu a vocação para educar?
Parece-me que a vocação para educar é inerente à condição humana. É normal a pessoa querer ensinar o que sabe, mostrar o caminho certo, corrigir o que vê errado, orientar em uma decisão... Tudo isso é educar. “Educar é Amar”. O ser humano bom não quer ver seu próximo em situação embaraçosa, e o simples ato de corrigir é educar.
7) Jesus foi um grande Mestre, inspiração para muitos. Que virtudes podem inspirar alunos, professores e sociedade?
Por Jesus ser perfeito, seriam incontáveis as virtudes, mas o amor é a base de todas elas. O amor é o essencial. Quem ama cuida, e isso é tudo para inspirar alunos, professores e sociedade.
“Jesus é o caminho, a verdade e a vida.” Se tentarmos seguir seus ensinamentos, só levaremos vantagem, vivendo em harmonia e colhendo os bons frutos do que semearmos.
8) Que poderá ser dito sobre os noventa e cinco anos da Paróquia Nossa Senhora da Conceição?
“No dia 20 de janeiro de 1927, festa do glorioso mártir São Sebastião, o Exmo. e Revmo. D. Frei Inocêncio Engelke, de acordo com o Decreto nº 1, deliberou criar a Paróquia Nossa Senhora da Conceição, de Itanhandu, concedendo à Igreja onde vai funcionar a Paróquia os direitos de Matriz.”
Nesses noventa e cinco anos de Paróquia, só temos a agradecer a Deus, que nos premiou com bons párocos, verdadeiros educadores, que cuidaram da formação religiosa e da formação espiritual de um povo bom e generoso.
Quantas dificuldades!... Quantos sucessos!...
Quantos obstáculos!... Quantas vitórias!...
A comunidade católica itanhanduense agrade a esses “anjos terrestres”, que, aqui, semearam o bem e levaram a palavra de Deus a todas as pessoas que se dispuseram a conhecê-la.
Como foi bom, em 1889, no início da história de Itanhandu, ser construída uma minúscula capela, sob a proteção de Nossa Senhora da Conceição, onde os poucos moradores se reuniam para orações.
Em 17 de agosto de 1906, o Exmo. e Revmo. Bispo Diocesano D. João Baptista Corrêa Nery, da Diocese de Pouso Alegre, MG, visitou esta comunidade e anexou a capela de Itanhandu à Paróquia de Passa-Quatro, MG.
Em 17 de setembro, o Revmo. Padre Isidoro Varvello, que era vigário colaborador na Paróquia de Passa-Quatro, pediu ao Exmo. e Revmo. Bispo Diocesano D. João Baptista Corrêa Nery, para celebrar, aos domingos e dias santos, na capela de Itanhandu, visto que a autoridade eclesiástica que dirigiria as celebrações nessa capela seria a mesma da localidade à qual ela estava anexa.
Nessa grande marcha, visando à salvação das almas, desfilaram, nessa terra, nobres guerreiros:
Padre Isidoro Varvello,
Padre Ignácio Jansen Pires Jatobá,
Padre José Costa Campos,
Padre Ivo Sousa Bustamante,
Padre Luiz Vieira Arantes,
Monsenhor Fausto de Vasconcelos Craveiro,
Padre Osvaldo Costa,
Monsenhor Rogério Rezende Vilela,
Cônego Sérgio Roberto Monteiro,
Padre Saymont Aloísio Rezende,
Padre Luis Henrique Moreira,
Padre Aylton Marcos de Jesus,
Padre Josimar Cândido Lourenço.
Entrevista cedida a Francine Levenhagen.
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