Entrevista - Intenção do Papa: Pelos pequenos e médios empreendedores

 

A intenção do santo Padre, o Papa, para o mês de agosto deste ano é pelos pequenos e médios empreendedores.


Rezemos para que os pequenos e médios empreendedores, atingidos fortemente pela crise econômica e social, encontrem os meios necessários para prosseguir com a própria atividade, ao serviço das comunidades onde vivem.


“Que encontrem os meios necessários para prosseguir com a própria atividade, ao serviço das comunidades.”

Papa Francisco


Sobre o entrevistado:


"Meu nome é Alan Henrique Ribeiro. Tenho 27 anos e sou casado com a Marcelline. Nasci em Passa Quatro, mas moro em Itanhandu há mais de 15 anos. Consegui meu primeiro emprego aos 12 anos, em uma Lan House. Sempre gostei de ter meu dinheiro. Trabalhei como costureiro, atendente em farmácia, em loja de máquina de costura industrial, caixa em loja de material de construção, enfim, sempre corri atrás de conquistar as minhas coisas. Neste ano, completo 6 anos de trabalho na Ribeiro Barbearia. Minha mãe cortava cabelo, há um tempo, e eu gostava de vê-la trabalhar. Admiro essa profissão. 

Sempre estudando, investindo e crescendo, hoje a Ribeiro Barbearia é a maior barbearia da região e somos referência, graças a Deus e a muito esforço nosso. Acredito que, todos os dias, Deus nos dá uma nova oportunidade, um novo dia, e depende da gente aproveitar da melhor maneira possível. Na Ribeiro Barbearia, sempre nos esforçamos para aproveitar essa oportunidade diária."




1) Podemos dizer que, a partir do 2⁰ semestre de 2022, já estamos em recuperação da economia pós-pandemia?      

    Acredito que sim. Eu percebi, nos últimos meses, que as coisas já vêm melhorando. Claro que a pandemia fez um estrago bem grande, principalmente, para aqueles que não estavam preparados economicamente, que não tinham preocupação com a gestão, nem tinham organização financeira. Estes aprenderam na dor, como se diz. Felizmente, acredito que as coisas estão melhorando.

 

2) Em Itanhandu, na sua opinião, você acredita que, além de crise econômica, também houve a crise social?

    Com certeza, a crise econômica acaba afetando outros lados também. A crise social aconteceu. Muita gente usando drogas, o aumento da criminalidade... Isso advém de vários fatores. Não só a crise econômica gerou criminalidade e abuso de drogas, mas, também, dentro de casa: A questão da criação, questão da forma de educar, a formação pessoal e, sobretudo, o afastamento de Deus. As pessoas só têm a ganhar quando se aproximam de Deus, independente de religião. Acho que isso seja um grande passo pra gente melhorar  e diminuir a criminalidade e o envolvimento com drogas. Deus é sempre o melhor caminho.

 

3) A sua atividade foi afetada?

    O setor de barbearia foi bastante afetado. Mas, graças a Deus, a gente está de pé, e a barbearia vem crescendo. Mesmo no período de pandemia, a gente não deixou de investir, de inovar, de fazer algo diferente e de procurar melhorias, dentro do nosso processo de trabalho. Mas o setor foi bastante afetado, sim, por conta dos protocolos de segurança, dos muitos dias parados, sem poder trabalhar, devido à questão sanitária... Mantivemos o distanciamento dentro da barbearia. Então, não trabalhamos todos os barbeiros ao mesmo tempo. Ficamos um bom tempo assim, tendo que trabalhar somente um barbeiro e um cliente, por vez. Isto atrapalhou bastante, mas já estamos crescendo, novamente.

 

4) Você tem um plano de negócios bem definido para superar os prejuízos da pandemia?

    Temos de estar sempre preparados para as dificuldades que possam acontecer. Temos de ter uma reserva de emergência. Sempre nos preocupamos em ter um fluxo de caixa, um bom plano de negócios, porque esta pandemia pegou todo o mundo de surpresa.

    Quando estamos numa fase boa do negócio, temos de nos preparar para a fase ruim também, porque o negócio é feito de altos e baixos. Por essa razão, cuidar da gestão é muito importante. O cuidado financeiro é essencial para ter crescimento, para não passar por dificuldades e não ser pego de surpresa.

 

5) Como empreender no atual cenário econômico?

    Empreender sempre foi e sempre vai ser um grande desafio. É um desafio diário. Sempre existiram as dificuldades. Sempre haverá crises, seja qual for o ramo ou o lugar onde se esteja. Precisamos sempre lutar para empreender. Usar as “armas” que temos e fazer as coisas acontecerem, mas sempre será difícil, até porque, é na dificuldade que se separa realmente quem quer fazer as coisas acontecerem e, por meio dela, aprendemos a crescer.

 

6) Quais são os setores mais afetados, na sua opinião?

    Acho que todo mundo foi afetado pela pandemia, mas, na minha opinião, os setores mais atingidos foram as atividades artísticas, shows, turismo e transportes, no geral.

 

7) Qual a importância de inovar dentro da estratégia da sua empresa?

    Inovar sempre importa. Procuramos algo novo e melhorar os processos. Eu vejo isso dentro da minha empresa, dentro da barbearia. Inovar é bom para os clientes, porque, com isto, mostramos preocupação com o consumidor. Nossos clientes sabem que sempre estamos melhorando, estudando, investindo, e isto os encanta. Inovar é uma forma de conquistar e fidelizar clientes.

 

8) Qual é o papel social da empresa na sociedade?

    Além de gerar emprego e de gerar oportunidades, trabalhamos com nossas metas pessoais, que são os objetivos que cada um de nós traça para si próprio, dentro da empresa. E é muito gratificante quando nossos colaboradores atingem seus propósitos. Incentivar é fundamental. Nós, da Barbearia, incentivamos o esporte, por exemplo. Nós fazemos a nossa parte. Por meio da campanha do agasalho; outro exemplo, conseguimos ajudar muitas pessoas, nesta época de frio extremo. E isto é muito gratificante. Barbearia não é só cortar cabelo. Ajudamos no social e ficamos felizes por isto.

 

9) Podemos dizer que a crise do Covid estimulou a criação de uma inovação?

    Com certeza, estimulou demais. Toda crise faz a pessoa sair da zona de conforto e ir para a zona de criação, de inovação. É inovando que conseguimos nos sustentar, pagar nossas contas. É por meio da criação que crescemos, tanto emocionalmente, quanto no ramo dos negócios. 


Entrevista cedida a Francine Levenhagen.

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