ENTREVISTA - Intenção do Papa: Pelo grito da terra

 

A intenção do Santa Padre, o Papa, para este mês de setembro é pelo grito da Terra.

Rezemos para que cada um de nós ouça com o coração o grito da Terra e das vítimas das catástrofes ambientais e da crise climática, comprometendo-nos pessoalmente a cuidar do mundo que habitamos. 

O "grito da Terra" refere-se à crescente conscientização e preocupação com os danos ambientais que nosso planeta está enfrentando, incluindo as mudanças climáticas, a perda de biodiversidade, a poluição e a degradação dos solos e dos recursos hídricos. Essas questões ambientais não só ameaçam a saúde do nosso planeta, mas também a sobrevivência e o bem-estar de todas as formas de vida que nele habitam. Aqui estão algumas perguntas para refletir e discutir sobre este tema crítico:

Ao refletir sobre o chamado para ouvir o "grito da Terra" e das vítimas das catástrofes ambientais e da crise climática, é essencial considerar formas de engajamento e ação que possam contribuir para a cura e a preservação do nosso planeta. 



A entrevista deste mês, para este tema tão importante e Stella Guida, filha de João Bosco Guida e de Maria do Carmo Mota Souza Guida. 
Nasceu no município de Passa Quatro – MG em 1979 e mudou-se para Itanhandu – MG, em 1980. 
Iniciou seus estudos na pré-escola da Escola Municipal Dona Neném Garcia. 
Cursou o Fundamental I na Escola Municipal Felipe dos Santos. 
Cursou o Ensino Fundamental II, o Magistério (1997) e Ensino Médio (1999) na Escola Estadual Professor Sousa Nilo. Em 1996 e 1997, trabalhou com Professora de alfabetização para adultos no supletivo da Escola Municipal Felipe dos Santos. 
Em 2021, ingressou no curso de bacharel em Ciências Biológicas da Universidade de Taubaté- SP. 
No final de 2003 voltou para Itanhandu e deu à luz a sua única filha, Marina Ayumi Guida Nakagawa. 
Em 2004, ficou em Itanhandu cuidando de sua filha e passou a participar de reuniões de meio ambiente na cidade. 
Em setembro daquele ano, foi contratada pela Prefeitura Municipal para fazer palestras nas escolas sobre o tema ambiental. 
Em 2005, voltou para Taubaté para concluir seus estudos. 
Entre 2006 a 2008, foi contratada pela Prefeitura Municipal de Itanhandu para ser monitora de Educação Ambiental no Centro de Educação Ambiental de Itanhandu, que foi instalado na Fazenda Escola. 
Entre 2009 e 2010, trabalhou no Centro de Referência de Assistência Social, como Orientadora do Programa ProJovem Adolescente. 
Em 2010, fundou o Instituto SuperAÇÃO com sua amiga Virginia de Siqueira Barros, onde trabalhou por 10 anos, como Coordenadora de Projetos Ambientais. 
Em 2012 concluiu o Curso Técnico em Meio Ambiente, no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas – Campus Inconfidentes – Polo de Itanhandu – MG. Assumiu a presidência do Comitê de bacias Hidrográfica do Rio Verde em 2015 e permaneceu no cargo até 2020. 
Em 2021, assumiu a Secretaria Municipal de Meio Ambiente.




1) Como posso, no meu dia a dia, reduzir minha pegada ecológica através de mudanças em meus hábitos de consumo, transporte e uso de recursos? 

    Refletir sobre seus hábitos e ações. Trabalhar a consciência ambiental adquirindo o quê e a quantidade que realmente é necessária: economizar energia elétrica; evitar o consumo de embalagens e sacolas plásticas; adquirir alimentos de produção familiar da própria cidade; separar os resíduos gerados dentro de casa para reciclagem; andar de bicicleta ou a pé, evitando o uso de carro sempre; plantar árvores na frente das residências, utilização de sacolas de compras; etc. 


2) De que maneira posso me informar melhor sobre as questões ambientais e climáticas, entendendo suas causas, impactos e soluções possíveis? 

    Assistindo e lendo jornais de diversas emissoras/canais para balizar as informações, pesquisar na rede mundial de internet o assunto, mas sempre verificando as fontes. Observar tudo que está acontecendo ao nosso redor e analisar como nossas atitudes estão contribuindo para o agravamento das situações.


3) Quais ações concretas posso tomar para apoiar políticas e práticas ambientais sustentáveis em minha comunidade, região e país? 

    Conhecer os programas e projetos, públicos e privados, que estão sendo desenvolvidos na comunidade e participar das iniciativas, tanto como voluntários ou doadores. 


4) Como posso contribuir para iniciativas de reflorestamento, conservação da biodiversidade e proteção dos ecossistemas locais? 

    Conhecendo os programas e projetos, para saber quais são as reais necessidades de cada um, que pode ser doação de mudas, doação de insumos, doação aos programas existentes e relacionados ao tema, participar de mutirões, quando houver; autorizar plantio nos passeios em frente às próprias residências; solicitar plantio nas calçadas em frente às residências; doação de tempo.


5) De que forma posso apoiar ou me envolver com organizações e movimentos que trabalham pela justiça ambiental e climática? 

    A primeira ação é conhecer os programas e projetos, públicos ou privados. Diversas organizações têm programas de doação e de voluntariados, mas sempre devemos verificar se aquela organização é idônea, pois assim teremos certeza que realmente estaremos ajudando quem precisa de ajuda. Ajudar na divulgação de informações e dos projetos e programas locais desenvolvidos já é um grande apoio. 


6) Como posso utilizar as redes sociais e outras plataformas para conscientizar outras pessoas sobre a importância do cuidado com o ambiente e incentivar ações coletivas?  

    Curtindo e compartilhando informações e páginas de organizações, programas e projetos que sejam idôneos e que realmente cumpram com as suas propostas.


7) Quais são as oportunidades para promover e participar de projetos de sustentabilidade em minha escola, local de trabalho ou comunidade religiosa? 

    Não precisamos esperar que os projetos cheguem até nossas escolas, locais de trabalho e comunidades. Podemos criar pequenas ações que podem contribuir com a comunidade e solicitar o apoio ao poder público e às organizações de bairro ou da sociedade civil. Criar mutirões de limpeza próximos de nossos rios, ruas e praças; campanhas de recolhimento de materiais recicláveis; campanhas de doação de alimentos e agasalhos para os mais vulneráveis. Promover, por meio de coleta de doações de legumes, uma noite de sopa para a população mais vulnerável. Esses são exemplos de ações que pode ser realizados por um grupo de pessoas a qualquer momento. Exercer o papel de participação cidadã sempre que tiver a oportunidade.


8) Como posso adotar e promover dietas e estilos de vida mais sustentáveis, que tenham menor impacto sobre os recursos naturais e a vida animal? 

    Consumir alimentos de produção local. Dar preferência aos pequenos produtores familiares locais e às empresas que prezam pelo bem estar animal. Evitar o desperdício de alimentos. 

9) De que maneira posso influenciar positivamente minha família e amigos a adotarem práticas mais sustentáveis e respeitosas ao meio ambiente? 

    As práticas sustentáveis requerem mudanças de hábitos. Dialogar respeitosamente com os familiares e ressaltar os pontos positivos destas práticas ajuda bastante, mas sempre respeitando a vivência de cada um.


10) Como as práticas espirituais e a oração podem nos ajudar a desenvolver uma relação mais profunda e respeitosa com a criação? 

    Se colocar no lugar do outro, sem julgamentos. Refletir como seus hábitos podem estar afetando os que estão ao seu redor. Observar atentamente o que está acontecendo ao nosso redor, em nosso lar, no nosso bairro e na nossa cidade. Verificar as ações que podemos melhorar e nos esforçar para melhorar realmente. 


11) De que forma podemos apoiar as comunidades mais afetadas pelas mudanças climáticas e catástrofes ambientais, especialmente aquelas mais vulneráveis e com menos recursos para se adaptarem? 

    Participar de campanhas de doação e ajuda humanitária de grandes órgãos como UNICEF e Médicos sem Fronteiras, que fazem esses trabalhos há muitos anos. Informar-se dos trabalhos que estão sendo desenvolvidos em nossa cidade. Existem muitos casos de vulnerabilidade que estão próximos de nós mais que, na maioria das vezes, não enxergamos.


12) Quais habilidades ou conhecimentos podemos adquirir ou compartilhar para contribuir com a resiliência comunitária e a adaptação às mudanças climáticas? 

    Acredito que o principal é seguir os ensinamentos da Fé e realmente colocar em prática. Ter empatia e pensar que vivemos em comunidade. Todas as nossas ações, boas ou ruins, acabam refletindo na comunidade onde vivemos. Adoção de hábitos, de boas praticas de convivência e consciência ambiental é o primordial para caminharmos até a resiliência.


13) Como podemos participar ou organizar eventos de limpeza e conservação ambiental em áreas locais, como parques, praias e rios? 

    Primeiramente, observando o que está acontecendo ao seu redor, ao redor da sua residência e na sua rua. Vivemos em comunidade, mas pensamos de forma individual. Mudanças de hábitos são difíceis de acontecer, mas com perseverança conseguimos nos adaptar.


14) De que maneira podemos reduzir o desperdício em minha casa, especialmente de alimentos, água e energia, contribuindo para a preservação dos recursos naturais? 

    Alguns exemplos: comprar somente a quantidade necessária de alimentos. Dar preferência a alimentos produzidos localmente. Evitar compra de alimentos que contenham muitas embalagens. Separar os materiais para a reciclagem. Apagar as luzes de cômodos que não estão sendo utilizados. Desligar das tomadas aparelhos que não estão realmente sendo utilizados. Diminuir a utilização de água sem necessidade. Verificar possíveis vazamentos nas residências. Reutilizar água quando possível, um exemplo, reutilizar água da máquina de lavar para lavar o quintal. Manter áreas de infiltração de água de chuva nas residências como jardins e canteiros.


15) Como minha fé ou crenças espirituais podem inspirar e guiar minhas ações em prol do cuidado com a Terra e de todos os seres que nela habitam? 

    O Papa Francisco escreveu a Carta Encíclica do Sumo Pontífice “Laudato Si’ Louvado Sejas” sobre o cuidado da casa comum é uma boa leitura para refletimos sobre como estamos cuidando de nossa casa comum. O que o Papa traz nesta Encíclica é que moramos todos no mesmo lugar, nossa casa comum. Para que possamos viver bem, precisamos ter consciência que nossas ações estão interligadas. 



Entrevista cedida a Francine Levenhagen.

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