ENTREVISTA - Intenção do Papa: pela formação de religiosas, religiosos e seminaristas.
A intenção do Santo Papa, o Padre, para este mês de maio é pela formação de religiosas, religiosos e seminaristas.
Rezemos para que as religiosas, os religiosos e os seminaristas cresçam na sua caminhada vocacional através de uma formação humana, pastoral, espiritual e comunitária, que os leve a serem testemunhas credíveis do Evangelho.
1) Qual é a importância de uma formação integral (humana, pastoral, espiritual e comunitária) para religiosas, religiosos e seminaristas na Igreja atual?
Uma questão de fidelidade. É interessante o que afirma a este respeito o Servo sofredor do livro de Isaias: “Toda manhã, o Senhor Deus desperta meus ouvidos para que, como bom discípulo, eu preste atenção.” A formação permanente, embora refira-se de modo unitário a cada pessoa, tem duplo aspecto: é uma conversão espiritual por uma contínua volta às fontes da vida cristã; a pessoa se enriquece interiormente e nas diversas dimensões. Adquire uma sabedoria de vida, que oportunamente colocará à disposição.
2) Como os programas de formação podem ser adaptados para atender às necessidades específicas de cada vocacionado, considerando seus talentos, desafios e chamados individuais?
Os programas de formação permanente visam olhar as orientações, inspiradas num ideal antropológico e vocacional, que buscam acompanhar a pessoa do candidato no processo de formação, atentando a todas as dimensões que compõem o ser humano, além de um acompanhamento junto à família do candidato, também.
3) De que forma a formação espiritual contribui para o desenvolvimento da vida interior e da relação pessoal com Deus desses vocacionados?
A espiritualidade pode ser vista como o encontro consigo mesmo, uma experiência que se torna um guia para nossas ações no mundo exterior. Ela orienta para um conhecimento positivo e integral do próprio "eu", a fim de favorecer a formação para a maturidade. A espiritualidade é o caminho que nos conduz ao autoconhecimento, permitindo que nossas ações e relações com o mundo estejam alinhadas com nossa interioridade, provocando em nós uma experiência de dentro para fora de nós. Deve acontecer naturalmente quando nós nos abrimos à graça de Deus.
4) Quais são os maiores desafios enfrentados na formação pastoral de religiosas, religiosos e seminaristas, e como podem ser superados?
Os desafios que, hoje, nós, consagrados e seminaristas encontramos, requerem de nós um constante esforço pessoal para nos assemelharmos à pessoa de Jesus. Ter os mesmos sentimentos e viver de acordo com os Seus ensinamentos, inseridos na nossa própria condição humana e socioambiental, requerem uma consciência vocacional e missionária que esteja voltada para o processo de doação e partilha, buscando sempre a “comum-união”, considerando que somos parte e não totalidade da Igreja. Quando nós nos deparamos com desafios, nos esquecemos que, para superar é preciso discernimento e oração. Assim, as escolhas serão corretas e as decisões feitas na escuta atenta ao Espírito Santo.
5) Como a formação comunitária ajuda no desenvolvimento da capacidade de viver em fraternidade e trabalhar em equipe no ministério?
Nada substitui o conhecimento profundo de si que uma autêntica vivência comunitária, que permitirá um desenvolvimento eficaz, gradativo (cada um tem seu tempo) para desenvolver seus dons/capacidades, vivendo a importância desse fraterno envolvimento em todas as suas dimensões.
6) De que maneira a formação humana (que inclui o desenvolvimento emocional, psicológico e social) é crucial para a preparação de futuros líderes religiosos?
Da maneira certa - antropológica - conhecendo o vocacionado.
Daí dizer que a formação humana é a chave que abre as portas para uma vida e
uma missão significativas no processo de cada um, olhando a dimensão do
desenvolvimento emocional, psicológico e social. Levar a se perceber, se
conhecer, tocar sua própria realidade a partir da formação que é recebida já no
despertar vocacional.
7) Quais estratégias podem ser implementadas para assegurar que a formação de religiosas, religiosos e seminaristas esteja alinhada com as necessidades e desafios da Igreja e da sociedade contemporâneas?
Vejo o quanto é importante criar em nossa realidade a cultura vocacional.
Na formação inicial, o fator discernimento é o primeiro passo
de um processo destinado a durar toda a vida, e o jovem deve ser formado na liberdade humilde e inteligente de se deixar educar
por Deus Pai, todos os dias da vida, em qualquer idade, na missão e na
fraternidade, na ação e na contemplação. Criando no coração de cada jovem uma importante cultura vocacional, a qual nos faz
perceber chamados pelo Senhor cotidianamente, e sem escrúpulos dizer SIM.
8) Como a experiência missionária e o contato com as realidades marginais podem enriquecer a formação de futuros religiosos e seminaristas?
9) De que forma os formadores podem ser melhor preparados para guiar e apoiar os vocacionados em sua jornada espiritual e vocacional?
Ainda nesta mesma carta, Papa Francisco vai nos orientar
dizendo que: “o Formador precisa ter
um coração grande, capaz de, na formação, incutir nos formandos esse desejo pelo
Reino. Não basta preparar a missão! Mas formar para cada missão, na experiência
profunda da escuta!” E, completa dizendo: "Ao chamar-vos, Deus diz-vos: “És importante
para mim, Eu amo-te; conto contigo”."
10) Como a comunidade católica em geral pode contribuir para o processo de formação de religiosas, religiosos e seminaristas?
Como foi dito acima, é importante ter-se uma cultura vocacional. Isto significa rezar pelas vocações. Falar sobre estas vocações em casa, nas escolas, na Catequese Paroquial, nos grupos de reflexões. Apoiar um jovem quanto este despertar para a escuta do chamado de Deus para uma vocação específica.
11) Qual é o papel da interculturalidade e do diálogo inter-religioso na formação desses vocacionados, considerando o contexto globalizado em que vivemos?
A inculturação é um desafio para todos. No entanto, é preciso
aproveitar a oportunidade de caminhar juntos com o Senhor os caminhos da
esperança, reconhecendo que a obra quem realiza é o Espírito Santo em nós, quando nos abrimos ao novo. Nesta dinâmica, o
diálogo é um caminho para a unidade na diversidade.
12) Como as novas tecnologias e mídias podem ser utilizadas de forma eficaz na formação de religiosos e seminaristas?
O mundo da tecnologia entrou no “Mundo” da vida consagrada. Devemos usar a tecnologia para bem conhecer o carisma e a missão dos religiosos e seminaristas, mas, tomar cuidado para não substituir o pessoal pelo digital. Precisamos usar a tecnologia para nos aproximar de Deus e dos nossos irmãos.
13) De que maneira a formação pode preparar os vocacionados para enfrentar os desafios éticos e morais contemporâneos à luz do Evangelho?
Toda formação religiosa tende a formar para a vida, despertando um olhar sensível ao todo que nos envolve, para as dimensões humano/afetivas e psicológicas. Nos colocando na dinâmica da saída, de acolher o diferente no respeito mútuo, trazendo sempre a pessoa de Jesus para o centro de nossa vida e de nossas escolhas. Buscando encontrar sentido e significado em tudo que faz parte de nossa existência.
14) Como incentivar uma atitude de aprendizado contínuo e de abertura ao Espírito Santo ao longo de toda a vida ministerial?
Ano passado vivemos em toda Igreja no Brasil, O Terceiro Ano Vocacional e a dinâmica
foi: “Corações ardentes! Pés a
caminho!”.
O que faz nosso coração arder?
Já se perguntaram?
Primeiro, nossa relação com Deus, na intimidade da oração. Nos relacionamentos
saudáveis, na busca pelo que é essencial, no que dá Sentido a nossa existência.
Somente o Espírito Santo nos coloca a caminho. Ele nos impulsiona a fazer um
caminho de escolhas certas, onde possamos tomar as decisões acertadas, pois “sei onde coloquei minha esperança”,
diz São Paulo.



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