ENTREVISTA - Intenção do Papa: pela formação de religiosas, religiosos e seminaristas.

 


A intenção do Santo Papa, o Padre, para este mês de maio é pela formação de religiosas, religiosos e seminaristas.

 

Rezemos para que as religiosas, os religiosos e os seminaristas cresçam na sua caminhada vocacional através de uma formação humana, pastoral, espiritual e comunitária, que os leve a serem testemunhas credíveis do Evangelho.



A entrevistada deste mês é Irmã Josielma de Jesus, que pertence ao Instituto Nossa Senhora do Bom Conselho, e, atualmente, atua no Pontifício Colégio Pio Brasileiro em Roma, na Itália.



1) Qual é a importância de uma formação integral (humana, pastoral, espiritual e comunitária) para religiosas, religiosos e seminaristas na Igreja atual?

    Uma questão de fidelidade. É interessante o que afirma a este respeito o Servo sofredor do livro de Isaias: “Toda manhã, o Senhor Deus desperta meus ouvidos para que, como bom discípulo, eu preste atenção.” A formação permanente, embora refira-se de modo unitário a cada pessoa, tem duplo aspecto: é uma conversão espiritual por uma contínua volta às fontes da vida cristã; a pessoa se enriquece interiormente e nas diversas dimensões. Adquire uma sabedoria de vida, que oportunamente colocará à disposição.


2) Como os programas de formação podem ser adaptados para atender às necessidades específicas de cada vocacionado, considerando seus talentos, desafios e chamados individuais?

    Os programas de formação permanente visam olhar as orientações, inspiradas num ideal antropológico e vocacional, que buscam acompanhar a pessoa do candidato no processo de formação, atentando a todas as dimensões que compõem o ser humano, além de um acompanhamento junto à família do candidato, também.    


3) De que forma a formação espiritual contribui para o desenvolvimento da vida interior e da relação pessoal com Deus desses vocacionados?

    A espiritualidade pode ser vista como o encontro consigo mesmo, uma experiência que se torna um guia para nossas ações no mundo exterior. Ela orienta para um conhecimento positivo e integral do próprio "eu", a fim de favorecer a formação para a maturidade. A espiritualidade é o caminho que nos conduz ao autoconhecimento, permitindo que nossas ações e relações com o mundo estejam alinhadas com nossa interioridade, provocando em nós uma experiência de dentro para fora de nós. Deve acontecer naturalmente quando nós nos abrimos à graça de Deus.


4) Quais são os maiores desafios enfrentados na formação pastoral de religiosas, religiosos e seminaristas, e como podem ser superados?

    Os desafios que, hoje, nós, consagrados e seminaristas encontramos, requerem de nós um constante esforço pessoal para nos assemelharmos à pessoa de Jesus. Ter os mesmos sentimentos e viver de acordo com os Seus ensinamentos, inseridos na nossa própria condição humana e socioambiental, requerem uma consciência vocacional e missionária que esteja voltada para o processo de doação e partilha, buscando sempre a “comum-união”, considerando que somos parte e não totalidade da Igreja. Quando nós nos deparamos com desafios, nos esquecemos que, para superar é preciso discernimento e oração. Assim, as escolhas serão corretas e as decisões feitas na escuta atenta ao Espírito Santo.


5) Como a formação comunitária ajuda no desenvolvimento da capacidade de viver em fraternidade e trabalhar em equipe no ministério?

    Nada substitui o conhecimento profundo de si que uma autêntica vivência comunitária, que permitirá um desenvolvimento eficaz, gradativo (cada um tem seu tempo) para desenvolver seus dons/capacidades, vivendo a importância desse fraterno envolvimento em todas as suas dimensões.


6) De que maneira a formação humana (que inclui o desenvolvimento emocional, psicológico e social) é crucial para a preparação de futuros líderes religiosos?

    Da maneira certa - antropológica - conhecendo o vocacionado. Daí dizer que a formação humana é a chave que abre as portas para uma vida e uma missão significativas no processo de cada um, olhando a dimensão do desenvolvimento emocional, psicológico e social. Levar a se perceber, se conhecer, tocar sua própria realidade a partir da formação que é recebida já no despertar vocacional.


7) Quais estratégias podem ser implementadas para assegurar que a formação de religiosas, religiosos e seminaristas esteja alinhada com as necessidades e desafios da Igreja e da sociedade contemporâneas?

    Vejo o quanto é importante criar em nossa realidade a cultura vocacional.

    Na formação inicial, o fator discernimento é o primeiro passo de um processo destinado a durar toda a vida, e o jovem deve ser formado na liberdade humilde e inteligente de se deixar educar por Deus Pai, todos os dias da vida, em qualquer idade, na missão e na fraternidade, na ação e na contemplação. Criando no coração de cada jovem uma importante cultura vocacional, a qual nos faz perceber chamados pelo Senhor cotidianamente, e sem escrúpulos dizer SIM.


8) Como a experiência missionária e o contato com as realidades marginais podem enriquecer a formação de futuros religiosos e seminaristas?

    Essas experiências “fazem crescer a fé, renova a Igreja; e, ao mesmo tempo, renova a sociedade, tornando-a mais fraterna, mas sempre com o Evangelho, com o testemunho”. Assim falou Papa Francisco para os consagrados na carta titulada de "Alegrai-vos!".


9) De que forma os formadores podem ser melhor preparados para guiar e apoiar os vocacionados em sua jornada espiritual e vocacional?

    Ainda nesta mesma carta, Papa Francisco vai nos orientar dizendo que: “o Formador precisa ter um coração grande, capaz de, na formação, incutir nos formandos esse desejo pelo Reino. Não basta preparar a missão! Mas formar para cada missão, na experiência profunda da escuta!” E, completa dizendo: "Ao chamar-vos, Deus diz-vos: “És importante para mim, Eu amo-te; conto contigo”."

 

10) Como a comunidade católica em geral pode contribuir para o processo de formação de religiosas, religiosos e seminaristas?

    Como foi dito acima, é importante ter-se uma cultura vocacional. Isto significa rezar pelas vocações. Falar sobre estas vocações em casa, nas escolas, na Catequese Paroquial, nos grupos de reflexões. Apoiar um jovem quanto este despertar para a escuta do chamado de Deus para uma vocação específica.


11) Qual é o papel da interculturalidade e do diálogo inter-religioso na formação desses vocacionados, considerando o contexto globalizado em que vivemos?

    A inculturação é um desafio para todos. No entanto, é preciso aproveitar a oportunidade de caminhar juntos com o Senhor os caminhos da esperança, reconhecendo que a obra quem realiza é o Espírito Santo em nós, quando nos abrimos ao novo. Nesta dinâmica, o diálogo é um caminho para a unidade na diversidade.


12) Como as novas tecnologias e mídias podem ser utilizadas de forma eficaz na formação de religiosos e seminaristas?

    O mundo da tecnologia entrou no “Mundo” da vida consagrada. Devemos usar a tecnologia para bem conhecer o carisma e a missão dos religiosos e seminaristas, mas, tomar cuidado para não substituir o pessoal pelo digital. Precisamos usar a tecnologia para nos aproximar de Deus e dos nossos irmãos


13) De que maneira a formação pode preparar os vocacionados para enfrentar os desafios éticos e morais contemporâneos à luz do Evangelho?

    Toda formação religiosa tende a formar para a vida, despertando um olhar sensível ao todo que nos envolve, para as dimensões humano/afetivas e psicológicas. Nos colocando na dinâmica da saída, de acolher o diferente no respeito mútuo, trazendo sempre a pessoa de Jesus para o centro de nossa vida e de nossas escolhas. Buscando encontrar sentido e significado em tudo que faz parte de nossa existência.


14) Como incentivar uma atitude de aprendizado contínuo e de abertura ao Espírito Santo ao longo de toda a vida ministerial?

    Ano passado vivemos em toda Igreja no Brasil, O Terceiro Ano Vocacional e a dinâmica foi: “Corações ardentes! Pés a caminho!”.

    O que faz nosso coração arder?

    Já se perguntaram? 

  Primeiro, nossa relação com Deus, na intimidade da oração. Nos relacionamentos saudáveis, na busca pelo que é essencial, no que dá Sentido a nossa existência. Somente o Espírito Santo nos coloca a caminho. Ele nos impulsiona a fazer um caminho de escolhas certas, onde possamos tomar as decisões acertadas, pois “sei onde coloquei minha esperança”, diz São Paulo.



Entrevista cedida a Francine Levenhagen

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