ENTREVISTA - Intenção do Papa - Pelo papel das mulheres

 

A intenção do Santo Padre, o Papa, para este mês de abril é pelo papel das mulheres.

Rezemos para que sejam reconhecidas em cada cultura a dignidade das mulheres e a sua riqueza, e cessem as discriminações de que são vítimas em várias partes do mundo.



Casada, mãe de dois filhos, a entrevistada desta semana, Aline do Nascimento e Silva, é enfermeira graduada pela UNITAU, desde 2002.

Aline é enfermeira do quadro efetivo da Prefeitura de Itanhandu, atuando, há 21 anos, no Município. Ela tem especializações na área de Saúde Pública, Saúde da Família e Gestão.

Esteve a frente da Secretaria Municipal de Saúde entre 2021 e 2024.



1) Como as escolas e universidades podem incluir e destacar as contribuições das mulheres na história, na ciência, nas artes e em outros campos?

    As escolas e universidades podem inserir nas aulas, materiais didáticos e atividades em geral, informações sobre realizações e contribuições das mulheres ao longo da história, nas ciências e nas artes, garantindo a representatividade feminina em seus materiais.

Podem, também, divulgar e disseminar, por meio de pesquisas escolares e palestras, contribuições femininas relevantes para todas as áreas.


2) Como podemos assegurar que as mulheres tenham igual representação e participação nos processos de tomada de decisão, políticos e legislativos?

    É preciso romper certos estigmas, como o de que “política não é lugar para mulheres”. Nós, mulheres, representamos 52% da população; mas ocupamos algo entre 10 a 15% dos cargos que estão nos espaços de decisão de políticas públicas. As decisões das políticas públicas sofrem poucas interferências femininas, o que impede com que sejam de fato condizentes com o que precisa toda a população. Precisamos incentivar as mulheres, desde jovens, a participar dos espaços como conselhos, ONGs, grupos e partidos políticos.


3) De que maneira os sistemas de saúde podem ser mais inclusivos e sensíveis às necessidades específicas das mulheres?

    A partir do momento em que tivermos mais mulheres participando dos processos decisórios das políticas públicas, teremos um olhar mais inclusivo. É importante ampliar o acesso das mulheres aos serviços públicos de saúde, independente de cor, raça, religião. Também é importante trabalhar a educação em saúde voltada a temas que envolvem saúde da mulher, e para além da prevenção de câncer de mama e colo uterino, trabalhar temas que envolvam também outras áreas, como saúde mental por exemplo. São exemplos de ações que podem ser desenvolvidas para uma saúde mais inclusiva para mulheres.


4) Como podemos combater a violência de gênero e oferecer suporte adequado às vítimas?

    Podemos ajudar a combater a violência contra as mulheres por meio de ações contínuas de educação e conscientização das mulheres e de toda a sociedade, sobre as diferentes formas de violência e como combatê-las. Paralelamente, é preciso implementar políticas públicas que garantam a proteção das mulheres vítimas de violência e também de punição adequada aos agressores. A mulher precisa ter garantido seu espaço protegido para denunciar e também para ser acolhida, se necessário.


5) Quais estratégias podem ser implementadas para eliminar a disparidade salarial entre homens e mulheres?

    Segundo dados do IBGE em 2022, homens recebem 22% a mais do que as mulheres, mesmo exercendo mesma função. Já temos no Brasil uma lei que prevê a igualdade salarial e a transparência destes dados. Através da garantia de cumprimento desta legislação, bem como a fiscalização ativa, é possível iniciar esta equiparação. Além disso, é preciso também que as empresas tenham transparência quanto aos critérios adotados na promoção de seus colaboradores, para que sejam estimuladas a promover com base em competências e não considerando gênero, oferecendo oportunidades iguais para todos.


6) Como podemos incentivar e apoiar o empreendedorismo feminino e o desenvolvimento de mulheres em posições de liderança nos setores público e privado?

    É importante implementar políticas com base na igualdade de gênero, além de programas específicos para desenvolvimento de mulheres, mentorias, rede de apoio, acesso a financiamento para empreendedoras. Nos setores público e privado, é preciso criar um ambiente que valorize as contribuições das mulheres, capacitar as potenciais lideranças femininas e promover acesso às promoções por critérios de competência e formação, para que não sejam desfavorecidas pelo gênero.

 

Entrevista cedida a Francine Levenhagen

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