Santos que entraram no coração do povo


 Anunciamos Jesus

Santos que entraram no coração do povo

A  nossa vocação é a busca da santidade


    "Deus quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade.” (1Tm 2,4), ensinou o apóstolo Paulo a Timóteo. A salvação é, pois, fruto da misericórdia divina; é um dom gratuito. Foi Deus que teve a iniciativa no diálogo da salvação: “Muitas vezes e de muitos modos, Deus falou outrora a nossos pais, pelos profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por meio do Filho” (Hb 1,1-2). Agora, Ele espera uma resposta de nossa parte.

    Jesus está no centro da História da Salvação. É para Ele que devem convergir os olhares dos que desejam relacionar-se com o Pai – relacionamento que é possível sob a ação do Espírito Santo. Por Cristo, com Cristo, em Cristo, elevamos a Deus um culto que lhe agrada. O culto oficial da Igreja se chama “Liturgia”. Na Liturgia, se exerce a obra de nossa redenção. Mas a vida espiritual não se restringe unicamente à participação na Sagrada Liturgia. O Espírito Santo encontra-se na origem também de outras manifestações religiosas do povo de Deus – aquelas que são compreendidas pela expressão “piedade popular”. 

    Piedade popular (religiosidade popular) é a maneira pela qual o cristianismo se encarna nas diversas culturas e se manifesta na vida do povo. Trata-se, pois, de diferentes manifestações culturais, que o âmbito da fé cristã se exprimem, não com os elementos da Sagrada Liturgia, mas através de formas peculiares que nascem do jeito do povo, de sua etnia ou de sua cultura. Naturalmente, as expressões dessa piedade devem se submeter às leis gerais do culto cristão e à autoridade da Igreja. E, dentre as manifestações da piedade popular, merecem um destaque especial as que são referentes aos santos – isto é, àqueles e àquelas que seguiram Jesus Cristo de forma decidida.

    Cada santo ou cada santa destaca um aspecto da riqueza infinita de nosso Mestre. 

   São Bento procurou imitar Jesus Cristo, que está em comunhão permanente com o Pai; São Francisco se caracterizou por ter imitado a pobreza de Jesus; São Domingos de Gusmão nos lembra Jesus que passou a vida ensinando; São Camilo destacou o cuidado de Jesus pelos enfermos; Santa Dulce dos Pobres, a atenção que Ele tinha pelos mais pequenos, pobres e necessitados. Alguns foram declarados “Doutores da Igreja”, por terem destacado um aspecto especial da doutrina cristã. Outros deram a vida por Jesus e nós os chamamos de mártires; e assim por diante. Há os que são muito conhecidos num determinado país; outros, no mundo inteiro. 

    Nem sempre é fácil entender ou explicar a razão da popularidade que alguns santos ou algumas santas têm. 

    No calendário do mês de junho, por exemplo, a Igreja nos apresenta quatro santos que têm fama internacional: Santo Antônio, São João Batista, São Pedro e São Paulo.

    Aliás, no Brasil, Santo Antônio, São João e São Pedro são tão populares que há festas, procissões e cânticos para homenageá-los. 

    Muitas cidades param para festejá-los no seu dia; discursos e homilias celebram seus feitos; e há doces que são feitos especialmente para recordá-los. 

    Entende-se: São João Batista chama muita atenção pela missão que recebeu de anunciar Jesus e preparar os seus caminhos. Ele teve a capacidade de desaparecer quando cumprida a sua missão. 

    São Pedro foi um homem do povo, um pescador que continua tendo novos admiradores graças à sua simplicidade e sinceridade nos colóquios com Cristo. Ele aprendeu, e nos ensina, que os cargos na Igreja não são para nos envaidecermos, mas para servirmos aqueles que o Senhor coloca sob nossa responsabilidade. 

    Santo Antônio, por sua vez, recebeu a responsabilidade de cuidar da cozinha de seu convento, até que seus superiores, percebendo seus extraordinários dons de pregador, o enviaram para as comunidades, a fim de anunciar Jesus e chamar a atenção para os erros doutrinários que se espalhavam no meio do povo. 

    Os santos – inclusive os três que são particularmente celebrados neste mês de junho e que entraram no coração do povo – tiveram como característica principal a busca da comunhão com o Pai, por Cristo, guiados pelo Espírito Santo. Eles nos lembram que nossa própria vocação é a busca da santidade. 

    Santo é quem faz a vontade de Deus; é quem segue Jesus; é quem dedica sua vida para amar o próximo como Jesus ama. 

    A santidade é o caminho necessário para, um dia, participarmos da glória celeste. São João Batista, São Pedro e Santo Antônio proclamaram, com suas vidas, que vale a pena abraçar esse caminho. Eles nos convidam a fazer o mesmo, uma vez que tudo passa, só Deus permanece para sempre.


Dom Murilo S. Krieger, Arcebispo - Emérito de São Salvador da Bahia

Revista Brasil Cristão

Ano 27 - nº 311 - Junho 2023

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