Santa Catarina de Sena - Uma santa para os nossos dias

 


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Santa Catarina de Sena

Uma santa para os nossos dias


    No dia 29 de abril, a Igreja celebra a memória de uma Doutora da Igreja que não é devidamente conhecida por nós, brasileiros: Santa Catarina de Sena. 

    Ela viveu no século XIV – época muito difícil para a Igreja e para o continente europeu. 

    Nascida em Sena, Itália, em 1347, em uma família numerosa (era a 24ª de uma família de 25 filhos), morreu em Roma, em 1380, com apenas 33 anos de idade. 

    Aos seis anos (1353), teve uma visão de Cristo, ladeado pelos santos Pedro, Paulo e João, pairando sobre a igreja de São Domingos, em Sena. 

    Nessa visão, ela experimentou de tal modo o carinho de Cristo que, a partir daí, sua vida foi totalmente voltada para Ele.

    Quando jovem, não aceitou a proposta da família para que se casasse. Para afastar pretendentes, cortou seus longos cabelos, pôs o véu de consagrada e intensificou sua vida de penitência. 

    Com 16 anos, entrou para a Ordem Terceira de São Domingos, dedicando-se à oração, à penitência e às obras de caridade, especialmente em favor dos doentes.

Quando sua fama de santidade se espalhou, foi protagonista de uma intensa atividade de aconselhamento espiritual, atendendo a pessoas de todas as categorias: nobres e políticos, artistas e gente do povo, pessoas consagradas e eclesiásticos, incluindo Papas. 

    Suas Cartas (a editora Paulus publicou um livro com as 382 que chegaram até nós) mostram sua espiritualidade impregnada de um grande amor a Cristo, com ênfase no valor de seu sangue. Catarina chamava a atenção de todos para erros e vaidades, não se preocupando em agradar a ninguém. 

    Em sua época, a sede do Papa estava em Avignon, na França, desde 1309, causando não poucos problemas para a Igreja. 

    Ela trabalhou muito para que a sede do sucessor de Pedro voltasse para Roma, o que aconteceu em 1377. 

    Catarina sofreu muito. Ela viveu profundamente as palavras de São Paulo: “Não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim.” (Gl 2,20). 

    Cinco anos antes de morrer, recebeu os estigmas. 

    Faleceu no dia 29 de abril de 1380. 

    Canonizada em 1461, foi declarada padroeira de Roma, da Itália e da Europa. 

    Em 1970, o Papa São Paulo VI e proclamou Doutora da Igreja.

    Suas obras são de uma atualidade impressionante: 

“O Diálogo” é uma obra prima da literatura espiritual; suas “Cartas” são marcadas pelo realismo e objetividade; e suas “Orações” comprovam a profundidade de suas experiências espirituais.

    Na impossibilidade de trazer aqui a riqueza de seu pensamento, lembro algumas de suas frases:

• “Permanecei nas doces chagas de Cristo” (Carta 4).

• “Quem teme a Deus prefere morrer a ofendê-lo mortalmente” (Carta 276).

• “Muitos conquistam cidades e castelos, mas sem vencer a si mesmos e os inimigos pessoais, que são o mundo, a carne e o demônio. Na realidade, nada venceram” (Carta 28).

• “Como não podemos ser de utilidade para Deus, preocupemo-nos com o que é do seu agrado, isto é, com o próximo” (Carta 57).

• “É no tempo que conquistamos a vida eterna ou a perdemos, conforme escolhermos” (Carta 82).

 • “Sei que o demônio perdeu a santidade, mas não a esperteza, com a qual poderia enganar-me” (Carta 92). 

• “O diabo não dorme e nos molesta sempre” (Carta 287).

• “Foi por amor a Deus Pai, por sua repulsa ao pecado e seu desejo da nossa salvação que Cristo suportou os tormentos no seu corpo” (Carta 95). 

• “Somente Deus pode saciar a pessoa humana” (Carta 111). 

• “Deus está mais disposto a vos perdoar do que vós a pecar” (Carta 173). 

• “Peço-vos que ameis o Papa” (Carta 177).

• “O tesouro da Igreja é o sangue de Cristo” (Carta 209).

• “O mundo perece por causa da multidão de pecados e pela falta de respeito à Igreja, esposa de Cristo” (Carta 214).

• “Todo coração desapegado do mundo enche-se de Deus; mas também, se estiver vazio de Deus, do mundo estará repleto” (Carta 194).

• “A quem governa outras pessoas convém antes governar a si mesmo” (Carta 121).

• “Não vos contenteis com coisas pequenas. Deus quer grandes realizações” (Carta 127).

• Ter a própria morte sempre presente: “Devereis morrer e não sabeis quando” (Carta 261). 

• “Recorrei a Maria em tudo” (Carta 267).



Dom Murilo S. Krieger, Arcebispo - Emérito de São Salvador da Bahia

Revista Brasil Cristão

Ano 27 - nº 309 - Abril 2023

Imagem: st. Catherine of Siena, Giambattista Tiepolo, 1746

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